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segunda-feira, 6 de abril de 2009

Os estágios da adoração (parte 1)

image06 Música na igreja é sempre um tema polêmico pois todos temos gostos, e gostaríamos de satisfazer esses gostos na adoração. Então pense agora: Como seria uma adoração ideal para você? O que falta para a adoração se tornar perfeita para você? Mais instrumentos? Mais cantores? Mais estilos musicais?

O texto de Apocalipse 4 e 5 nos narra a adoração que acontece no céu. É a adoração diante do Trono, com a presença do Deus Trino e ausência completa do pecado. Lá, a adoração acontece em seu estado mais sublime, mais puro. Lá, encontramos a adoração ideal.

O livro de Apocalipse foi escrito por João, quando estava exilado na ilha de Patmos. O livro tinha como objetivo animar os cristãos que estavam sendo perseguidos, relatando-os sobre a vinda de Cristo.

O livro é baseado nas visões que João teve. No total foram quatro visões. A primeira foi a aparição de Cristo, em que ele dita as cartas às sete igrejas na Ásia. O nosso texto é o início da segunda visão. Nessa visão, o foco é o derramamento da ira de Deus sobre a terra no período da Grande Tribulação.

Porém, no início da visão, vemos que João presenciou a cena mais impressionante que um homem poderia presenciar. Imaginem o privilégio de poder assistir a adoração que acontece diante do Trono celestial. Uma adoração em sua forma mais pura, sem erros de afinação, sem a perda do tempo musical. Imaginem as vozes mais harmônicas do Universo, os instrumentos mais bem tocados, a adoração em sua forma mais bela e emocionante. Nunca nessa vida poderemos ouvir tão sublime louvor como aquele que João ouviu.

Infelizmente, não presenciamos ainda essa cena, mas temos o relato dela nas Escrituras. Esse relato pode nos ajudar na adoração em nossa igreja. Precisamos trazer para a nossa adoração no culto esse ambiente celestial. A adoração ideal é aquela que imita a adoração celestial. É claro que jamais seremos sem falhas como os anjos, mas precisamos imitar ao máximo a adoração celestial, pois é lá que ela acontece com maior perfeição. Quanto mais próximos estivermos da adoração que acontece diante do Trono, mais próximos estaremos de uma adoração que genuinamente agrada a Deus

Mas quais são as características da adoração celestial que precisamos imitar? A adoração celestial passa por três estágios. Se quisermos que nossa adoração imite a adoração celestial, precisamos seguir esses três estágios.

O Primeiro estágio da adoração celestial é:

I. A adoração começa na Contemplação.

A. O que é contemplação.

1. Contemplar é descrito no dicionário como observar, mirar em algo ou meditar em alguma coisa.

2. Essa palavra não ocorre no texto, mas nós vemos claramente que havia uma contemplação voltada completamente para o Trono. Tudo neste evento é iniciado ou direcionado ao Trono. O Trono ocupa o centro da adoração celestial, e todos os seres que estão no céu estão voltados para o Trono.

B. Contemplação do Pai.

João nos dá várias características de Deus que eram alvos da contemplação.

1. Deus é contemplado em sua Soberania (verso 2)

a. A descrição de João de que havia um trono tinha muito significado para os cristãos daquela época. Sabemos que o Império Romano dominava e oprimia os cristãos.

b. Ao dizer que Deus estava no Trono, João mostra que, enquanto o imperador romano dominava sobre uma parte da Terra, o Nosso Deus domina sobre todo o Universo. Ele é soberano, nada foge à sua vontade. Do seu trono ele governa todas as coisas, e ninguém pode resistir ao seu querer.

c. Os imperadores romanos perseguiam os crentes pois estes se recusavam a adorá-lo. Porém João mostra que há alguém no Trono no Universo, no centro de tudo, que ocupa o mais alto grau de importância, que é o único que merece ser adorado e contemplado.

2. Deus é contemplado em se Amor (verso 3)

a. O verso 3 fala do arco-íris. O arco-íris foi o sinal do pacto de Deus com Noé, prometendo que jamais iria destruir o homem pela água.

b. Isso demonstra o amor e a misericórdia de Deus. Ele poderia nos matar a todos e isso não o tornaria injusto. Mas ele amorosamente nos permitiu viver, e até hoje cumpre seu pacto.

3. Deus é contemplado em seu Poder (verso 5)

a. É dito nesse verso que do Trono saem relâmpagos, vozes e trovões. Todas essas coisas nos assustam grandemente. Somos possuídos de temor quando vemos aqueles clarões no céu, e aquele som alto e estridente.

b. Em Ex 19:16 vemos um caso parecido. Quando Deus desceu sobre o monte, muitos relâmpagos e trovões surgiram e o povo começou a se tremer de medo.

c. Isso acontece porque essas manifestações nos lembram que somos frágeis, pequenos, humildes diante de tamanho poder da Natureza.

d. Assim também, esses relâmpagos e vozes e trovões demonstram que Deus está acima de toda criação. Que ele tem todo o Poder, nada o amedronta, ele é o Ser mais poderoso que existe.

e. Deus é o Ser Todo-Poderoso do Universo.

C. Contemplação do Filho

O capítulo 5 mostra agora o Filho, o Cordeiro como o centro da adoração. Algumas características são descritas como motivo de contemplação do Cordeiro.

1. Contemplação do Cristo vencedor (verso 5)

a. Esse capítulo começa falando de um livro, ou um rolo, todo selado. Esse livro refere-se aos acontecimentos descritos nos capítulos seguintes. Então, começou-se a procurar no céu alguém que fosse digno de desenrolar a história futura, alguém que tivesse mérito para abrir o julgamento sobre as nações.

b. Procurou-se no céu: ninguém. Procurou-se na terra: ninguém. Procurou-se até debaixo da terra: ninguém era digno de abrir o livro, nem sequer olhar para ele.

c. O apóstolo assim chora amargamente, pois como a história iria se desenrolar sem ninguém com méritos para isso? Então seu choro foi consolado pela palavra do ancião, avisando que Cristo, o Leão da Tribo de Judá, a Raiz de Davi, o Messias prometido que veio, venceu a morte, o pecado e Satanás e agora é o Rei triunfante, o Rei vencedor. Ele era digno de abrir o livro.

d. Vemos então que os anjos contemplavam o Senhor Jesus como um Rei, uma Majestade, aquele que venceu.

e. Bem diferente do Cristo descrito por Mel Gibson no filme A Paixão de Cristo.

2. Contemplação do Cristo sofredor (verso 6)

a. Quando João se voltou para ver o Leão que venceu, ele viu um Cordeiro que morreu. Isso aconteceu porque a vitória e a morte de Cristo estão intimamente ligadas. Cristo venceu porque morreu, e através de sua morte o pecado foi vencido, a morte foi vencida e a sentença de Satanás foi decretada.

b. Os anjos podiam contemplar aquele Cordeiro, que parecia morto, mas que irradiava vitória e a única esperança para a história da humanidade.

D. Aplicações.

1. Contemplar a Deus é o primeiro estágio da adoração. Sem contemplação, jamais haverá adoração. Sem entendermos que é o nosso Deus, o que Ele fez por nós, seu Poder, sua Majestade, sua Soberania, jamais iremos adorar da maneira correta, pois como adoraremos a quem não conhecemos? Se não sabemos quase nada do Senhor Jesus, qual a motivação de adorá-lo? Como o Senhor Jesus disse em João 4:6, só podemos adorar a quem conhecemos. Por isso é tão necessário que nos aprofundemos no conhecimento da Palavra de Deus. Quanto mais conhecermos a Deus, e nos envolvermos com sua glória, e descobrirmos a beleza da sua Majestade, mais estaremos sedentos de adorá-lo.

2. Um dos grandes motivos da crise que a igreja evangélica enfrenta na adoração se dá porque contemplamos muito a coisa errada ou sequer contemplamos a Deus. A maioria das igrejas tem contemplado o homem, ao invés de Deus. A adoração é preparada para satisfazer os desejos humanos. Mas nós também podemos estar contemplando coisas erradas. O que temos contemplado em nossa semana? Os ensinos da Palavra, ou as fofocas da Quem, da Contigo e da TiTiTi. Ansiamos mais contemplar a Deus ou contemplar um programa imoral, ou um site indecente na internet? Temos dado mais tempo para contemplar a Deus, ou contemplar a ambição de um carro novo, de uma bela casa, de um lugar melhor na sociedade? Quem tem sido o alvo da sua contemplação, Deus, ou o prazer, o sucesso, a imoralidade ou a riqueza?

3. Se quisermos adorar genuinamente a Deus, precisamos começar contemplando-o, admirando-o, nos deleitando na sua glória e Majestade.

Continua…

Um comentário:

Carlos Bezerra disse...

Excelente exposição sobre adoração. Creio que é exatamente isto o que ocorre, o foco da contemplação é distorcido por seus adoradores. C.S. Lewis comenta que muitas vezes, adoramos a uma imagem de Deus que criamos (um pseudo deus) e não ao DEUS VERDADEIRO e BÍBLICO. O fato é que realmente só poderemos expressar nossa contemplação através da adoração se realmente adorarmos ao ÚNICO DEUS e não a ídolos holográficos criados por nossas finitas mentes.