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sexta-feira, 27 de março de 2009

"Com um beijo trais o Filho do homem?"
(Lucas 22.48)


" Os beijos de quem odeia são enganosos." Quero manter-me
cauteloso quando o mundo simula um rosto amável, pois ele
vai, se possível, trair-me, como fez ao meu Mestre, com um beijo.
Sempre que um homem mostra-se disposto a apunhalar a religião,
ele geralmente professa um grande respeito por ela. Quero evitar a
hipocrisia cheia de lisonjas que carrega por trás a armadura da heresia
e da infidelidade. Conhecendo a falácia e a maldade, quero ser astuto
como uma serpente para detectar e evitar os desígnios do inimigo. O
jovem, falto de entendimento, foi desencaminhado pelo beijo de uma
mulher estranha. Que minha alma seja tão graciosamente instruída por todo este dia para que a fala macia do mundo não possa ter nenhum
efeito sobre mim. Espírito Santo, faze com que eu, pobre e frágil ser
humano, não seja traído com um beijo!
Mas, o que acontece se devo ser culpado do mesmo pecado
maldito de Judas, aquele filho da perdição? Fui batizado em nome do
Senhor Jesus; sou um membro da sua Igreja visível; tomo assento à
mesa da comunhão: todos estes privilégios são os muitos beijos de
meus lábios. Sou eu sincero neles? Se não, sou um traidor vil. Vivo no
mundo tão negligentemente como os outros e, no entanto, faço uma
profissão de fé de ser um seguidor de Jesus? Então exponho a religião
ao ridículo e levo os homens a falarem mal do santo nome pelo qual
sou chamado. Certamente, se procedo assim inconsistentemente como
um Judas, teria sido melhor para mim nunca ter nascido. Ouso esperar
que sou claro nesta questão? Então, ó Senhor,mantém-me assim. Ó
Senhor, faze-me sincero e verdadeiro. Preserva-me de todo caminho
falso. Jamais permitas que eu traia meu Salvador. Amo-te, Jesus, e, embora muitas vezes te ofenda, desejo manter-me fiel até à morte. Ó
Deus, impede que eu, de professo proeminente, venha a cair por fim no
lago de fogo, por ter traído meu Mestre com um beijo."


Charles Haddon Spurgeon


SPURGEON, C. H. Meditações Matinais Tradução: Rubens Castilho. Campinas: United Press, 2001.

Um comentário:

karla disse...

Eita, Felipe, fiquei até sem ar lendo esse texto.
Impressionante a profundidade de tudo que foi dito!
O mundo está aí para nos atrair, mas a certeza de que Cristo é o único e correto caminho é a fortaleza que move todos aqueles que desejam seguí-Lo.
Oremos para que todos os crentes tenham a sensiblidade de Spurgeon e desejem não envergonhar o nome de Cristo.