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sábado, 30 de maio de 2009

Dia a dia tome a sua cruz e siga-me

Lucas 9.23

Clodoaldo Machado

Na época em que Jesus proferiu estas palavras, cruz era sinônimo de morte. Ela marcava o fim da vida de uma pessoa. Era o conhecido método de execução da pena de morte dos romanos. Quando alguém era condenado à morte, era na cruz que a pena era executada. Os romanos ordenavam que a pessoa tomasse a própria cruz e a carregasse até o local da execução.

Os discípulos que estavam ouvindo estas palavras entenderam claramente que Jesus falava sobre morte. Eles compreenderam que Ele estava dizendo que quem quisesse segui-lo deveria ter disposição de morrer. Quanto a isso certamente não houve dúvida.

O fator intrigante nas palavras de Jesus é que a pessoa que tomava sua cruz no método romano fazia isso somente uma vez. Ela tomava sua cruz, caminhava até o local da crucificação, ali ela era pregada e deixada exposta até a morte. Quando a pessoa demorava a morrer, soldados romanos lhe quebravam as pernas, afim de que morresse mais rápido.

Jesus, porém falou de tomar a cruz dia a dia. Ele não estava falando sobre morrer uma vez só, como acontecia na prática romana. Aqui ele está falando de morrer mais de uma vez.

Como pode ser isso? Como alguém pode morrer dia a dia? A morte não é de uma vez por todas?

A resposta é que no método romano a morte era física e Jesus está falando aqui da morte espiritual da natureza pecaminosa. Jesus está dizendo que segui-lo significa estar disposto a levar à morte a natureza pecaminosa todo dia.

No contexto Jesus fala sobre negar a si mesmo, fala sobre perder a vida por causa dele. Tomar a cruz dia a dia significa que nossa natureza pecaminosa tenta viver todo dia e nós devemos pregá-la todo dia numa cruz. Significa que quando estamos seguindo a Cristo, estamos morrendo para a velha natureza e vivendo a nova para Cristo.

Na prática significa que dia a dia temos que dizer não para nós mesmos. Nossos desejos pessoais que desagradam a Deus deverão ser pregados numa cruz. Nossos impulsos de ira, de vingança, de nervosismo deverão ser pregados numa cruz dia a dia. Os pedidos que nossa natureza nos faz deverão ser crucificados. Vontades muitas vezes que aparentemente não são maléficas, Deus pede que sejam pregadas na cruz. Aqueles momentos em que ficamos chateados porque as coisas não aconteceram como queríamos, devem ser pregados na cruz.

O fato é que ao contrário de abrir mão de nossos desejos, nós tentamos nos convencer de que eles não são maus e que eles não nos afastarão de Deus. Tentamos nos convencer de que Deus não se importa com eles.

Aqui vemos claramente a essência de seguir a Jesus. Por isso ele adverte seus discípulos. Não se pode seguir a Jesus e ao mesmo tempo ter satisfeito os desejos da natureza pecaminosa. Corremos o risco de seguir a Jesus e tentar manter viva nossa velha natureza. Por isso muitos erram, pois não entendem que a cada novo dia Jesus está nos convidando a viver para ele, e viver para ele significa pregar na cruz nossos desejos pessoais. Significa que serão apresentadas a nós oportunidades de tomar a cruz e morrer para o “eu”. O apóstolo Paulo entendeu isso muito bem, por isso ele escreveu aos gálatas: estou crucificado com Cristo (Gl 2.19). E aos romanos ele escreveu: “por amor de ti somos entregues à morte o dia todo” (Rm 8.36).

Jesus está então dizendo a seus discípulos: “Querem me seguir? Então estejam dispostos a abrir mão de seus desejos pessoais”. O caminho da vida significa a crucificação diária da natureza pecaminosa. Dia a dia tome a sua cruz e siga-me.

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Fonte: Blog Fiel

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Sabedoria! Quem vai querer?

“se buscares a sabedoria como a prata e como a tesouros escondidos a procurares” (Pv 2.4)

Sempre que há notícia de que se tem ouro em algum lugar, é bem previsível que um grande número de pessoas apareça para procurar esse metal tão valioso. Assim aconteceu aqui no Brasil, na época do descobrimento do ouro na região em que hoje se encontra o estado de Minas Gerais. Muitos homens deixaram suas casas, seus empregos e até suas famílias em busca do sonho de encontrarem muito ouro e ficarem ricos rapidamente.

Hoje isso não é tão comum na nossa realidade. Porém, não é difícil lembrar da corrida do ouro quando vemos uma fila enorme na porta de algumas lojas com o cartaz 80% OFF. Ou, quando vemos algumas cenas dos pregões das bolsas de valores, quando alguma empresa tem suas ações valorizadas instantaneamente, os acionistas ficam extremamente agitados, correndo, gritando, pois não podem perder aquele investimento.

A nossa agitação e ânsia em busca de algo é um medidor claro do quanto aquilo é importante para nós. O ouro fazia homens deixarem suas casas, as promoções fazem pessoas esperarem até horas em filas e um bom investimento na bolsa fazem os acionistas chegarem ao mais alto nível de stress talvez já conhecido.

Fico imaginando se houvesse uma placa na rua. SABEDORIA FREE ou ESPIRITUALIDADE BÍBLICA 100% OFF ou até mesmo PAZ EM CRISTO DE GRAÇA. Qual seria o tamanho dessa fila? Será que precisaria de uma segurança reforçada para evitar tumultos? Será que haveria pessoas na porta esperando que abrisse?

Infelizmente, acho que não. A Bíblia está diante das pessoas, mas elas simplesmente não querem as experiências maravilhosas que o Senhor as oferece. Elas não buscam ao que Deus dá valor da mesma forma que buscam ao que elas mesmas dão valor. Precisamos de uma real inversão de valores. Precisamos saber o que o Senhor valoriza e, assim, buscar isso com todas as nossas forças. E a sabedoria é um grande exemplo de algo que recebe grande valor de Deus. Se a buscássemos como procuramos as promoções, os investimentos ou o ouro...

...“Então, entenderás o temor do SENHOR e acharás o conhecimento de Deus.” (Pv. 2.5)

Em Cristo,

Felipe Prestes

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Mudar ou não mudar?


“O inconformismo geralmente ofende a muitos, e expõe a parte ofensiva ao questionamento pelo menos, e frequentemente a alguma coisa mais séria. O costume é um deus para a multidão, e ninguém pode negar homenagem ao ídolo impunemente.”
A. B. Bruce*

Ao ler uma citação como essa, é fácil lembrar do dito popular: “Não troque o certo pelo duvidoso.” Somos acomodados por natureza. O medo do novo aterroriza mais e mais pessoas. Parece que, quando jovens, pensamos que podemos fazer coisas novas e interferir no mundo de uma forma a torná-lo pelo menos um pouco diferente do que ele é. Pensamos (ou pensávamos, para colocar em uma perspectiva não tão jovem) que podemos (ou poderíamos) mudar, ou tentar mudar, a correnteza do normal.

Então, quando os anos vão passando, a dura face da realidade vai se mostrando a nós. Vemos que o mundo é mau. Percebemos que não há tantas pessoas em quem podemos confiar. Notamos que muitos agem por motivos escusos. Sim, as pessoas tem seus próprios interesses e vivem em torno deles somente. Mudar para quê? É melhor que as coisas continuem do jeito que estão mesmo, pois pelo menos já sabemos como agir diante do que acontece.

Desiludir-se com o mundo é normal. Mas desistir de fazer algo por ele é tudo o que não devemos fazer. Os que estão em Cristo são luz no meio das trevas nas quais este mundo está envolto. Como filhos do Rei, podemos, sim, tentar mudar essa “ordem vigente”.

Afinal, se não tentarmos, quem vai tentar por nós? Idealistas com filosofias vãs, psicopatas pelo meio ambiente ou sectaristas seguidores de religiões idólatras? Todos esses grupos que citei tem algo de positivo: eles não se conformam. Mas suas motivações são vazias e não os levarão a lugar algum.

Que o Senhor faça arder em nosso coração uma paixão pelas almas desse mundo, pelos que ainda são trevas. E o melhor que podemos fazer para mudar o mundo é brilhar a luz de Cristo “para que vos torneis irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis no meio de uma geração pervertida e corrupta, na qual resplandeceis como luzeiros no mundo”. (Fp 2.15)

Em Cristo,

Felipe Prestes

*Fonte: BRUCE, A. B. O treinamento dos doze Tradução: Daniel de Oliveira. São Paulo: Arte Editorial, 2005.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

O que queremos alcançar?

Há uma corrente de pensamento que está na mente de muitas pessoas hoje. Como acontece com as ideologias mais dominantes, os que a seguem não percebem que pensam de acordo com essa filosofia. A hegemonia dessa forma de pensar está refletida nas propagandas, nos filmes, nos livros, enfim, em todos os meios de comunicação. Mas onde é mais fácil perceber essa filosofia é quando ela se torna senso comum.

Que filosofia é essa tão propagada? Ela se chama pragmaticismo, e, em poucas palavras, é um pensamento de que tudo, absolutamente tudo, tem que servir para alguma coisa da forma mais rápida possível. Como perceber essa propagação de que falei? É fácil. Palavras como “metas”, “resultados” e “alvos” estão cada vez mais presentes no nosso vocabulário. Gráficos com setas apontando para cima podem facilmente ser vistas nos outdoors. E a ideia de “sucesso” ronda a mente de todos indistintamente. Não seria errado dizer que, segundo esse senso comum, sucesso é igual a muito dinheiro para uma estabilidade financeira que lhe dê o máximo de conforto.

O problema disso tudo é achar que essa é a forma através da qual devemos todos pensar. “Não vos conformeis com este século.” Esta é a sentença do apóstolo para os irmãos de Roma, que viviam em uma sociedade envolta em pensamentos idólatras e pagãos. A forma de o mundo pensar sempre será diferente da forma bíblica de pensar. Afinal, homens pecadores não redimidos são aqueles que pensam a partir das filosofias do deus deste século.

“Transformai-vos pela renovação da vossa mente.” Essa é a solução para que o nosso pensar seja moldado. Devemos servir para alguma coisa? Claro que sim. Estamos no mundo com um propósito. Caso contrário, viver não teria sentido. O problema é deixar os propósitos, alvos e ideais desse mundo se tornarem os nossos propósitos, alvos e ideais.

Devemos ter a mente de Cristo em nós, e isso quer dizer pensar biblicamente, buscando satisfazer os interesses do Deus a quem dizemos servir “para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade do Senhor.” (Rm 12.2)

Em Cristo,

Felipe Prestes

sábado, 23 de maio de 2009

Como uma criança


"E disse: Em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos tornardes como crianças, de modo algum entrareis no reino dos céus. Portanto, aquele que se humilhar como esta criança, esse é o maior no reino dos céus." (Mt 18 3,4)

Sobre o versículo acima, A.B. Bruce* escreveu:

"A característica mais importante da natureza infantil, que consitui o elemento especial da comparação, é sua despretensão. A tenra infância nada sabe daquelas distinções de posição que são resultado do orgulho humano e das recompensas cobiçadas pela ambição humana." (p. 185)

Palavras pertinentes para um mundo que sempre foi cheio de homens sedentos por posições. A vontade de ser maior do que o outro entrou no mundo junto com o pecado. Desde então, os homens se olham a partir de seus patamares. Quanto maior e mais importante, maiores são os privilégios e honras. Essa é a regra debaixo do sol.

Contudo, o Senhor Jesus veio para quebrar paradigmas. E foi isso que Ele fez ao proferir as palvras citadas acima. No reino de Deus, não entram as posições, os títulos e as honras humanas. Não levaremos diploma nem curriculum. As honras no Reino Eterno são dadas à sinceridade de coração daqueles que servem ao Senhor sem pretensões. Os grandes lá são os pequenos aqui. Pequenos, na verdade, todos somos. Mas, no Reino, grandes são os que verdadeiramente se reconhecem pequenos, inábeis para fazer qualquer coisa sem a ajuda de Deus.

O que é importante lembrar é que os que estão em Cristo já fazem parte desse Reino. Portanto, ainda temos tempo para buscarmos ser grandes. Olhemos para as crianças como Cristo olhou para vermos nelas o exemplo de despretensão.

Vivamos para Cristo, e não para os homens.

Em Cristo,

Felipe Prestes

*Fonte: BRUCE, A. B. O treinamento dos doze Tradução: Daniel de Oliveira. São Paulo: Arte Editorial, 2005.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Guiados pelo Espírito

Nós somos seres sensíveis. Isso é indiscutível. Estamos sempre sentindo alguma coisa. Não digo isso somente em relação aos nossos cinco sentidos. Sabemos que a nossa percepção das coisas vai além deles. Temos, por exemplo, uma consciência, e é ela que nos dá aquele “feeling” se fizemos algo errado ou não. Como nascemos pecadores, essa consciência, através do tempo, vai perdendo sua força. Além disso, num mundo com valores invertidos, ou até mesmo sem valores, a consciência de certo e errado vai perdendo cada vez mais espaço para um relativismo ético que só faz a sociedade afundar com a proliferação dos conceitos pós modernistas.

No momento da conversão, recebemos o Espírito Santo de Deus. E é Ele Quem vai usar a nossa consciência para nos mostrar se estamos certos ou errados. Ele nos convencerá do pecado para que não mais andemos como antes, sem freios. Uma vida em comunhão com o Senhor, sendo permeados pela Sua Palavra continuamente, nos ajudará a manter a mente, isto é, a consciência com material suficiente para julgar o certo e o errado, o bom e o mal, a verdade e a mentira, o santo e o pecaminoso, o branco e o preto.

Por outro lado, podemos inverter esse raciocínio, e ele continuará sendo verdadeiro. Sem comunhão com Deus e sem leitura e estudo das Escrituras, nossa consciência carecerá de parâmetros pelos quais poderíamos julgar os fatos. Desse modo, as coisas que ficavam antes em pólos separados começam a se confundir e as barreiras entre o certo e o errado, mais especificamente o santo e o pecaminoso, somem. Quem vive assim peca desenfreadamente. Sim, os muitos pecados silenciaram o Espírito de Deus.

Não andamos sempre com a Bíblia em mãos procurando um versículo para nos orientar se devemos dar um passo depois do outro quando caminhamos. Simplesmente experimentamos o fluir da vida. A solução para uma vida dentro da vontade de Deus, guiada pelo Seu Santo Espírito, é nos encher da Sua Palavra e andarmos perto dEle sempre. Assim, qualquer desvio do reto caminho do Senhor será sentido por nós e, então, nos arrependeremos e retornaremos a trilhar nos Seus passos.

Em Cristo,

Felipe Prestes

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Quanto aos que vivem em pecado

“Se um irmão em Cristo, de acordo com a posição eclesiástica, pode me dizer: ‘Você deve me amar com todo seu coração,’ Posso dizer em resposta: ‘Eu reconheço a obrigação na teoria, mas exijo de você, em troca, que você seja tal que eu possa amar você como a um cristão, mesmo fraco e imperfeito; e sinto ser meu direito e meu dever fazer tudo o que puder para tornar você digno de tal consideração fraternal, por tratar abertamente com você a respeito de suas ofensas. Eu estou disposto a amar você, mas não posso, não ouso, ter relações amigáveis com seus pecados; e, se você se recusa a se separar deles, e praticamente me obriga a ser um participante neles por conivência, então nossa irmandade está no fim e eu estou livre de minhas obrigações’.”
A. B. Bruce*

Sempre foi e será uma luta constante saber disciplinar os que amamos. Não é fácil abrir mão da comunhão com eles. No entanto, se nosso relacionamento com eles afeta negativamente nossa vida espiritual, então o conselho bíblico é nos afastar dos que se dizem irmãos, mas não vivem como tais. Que bom seria se as palavras de Bruce fizessem eco no grande “meio evangélico”, no qual pecados que envergonham o Reino são simplesmente desprezados em favor da multiplicação dos membros. Que o Senhor mantenha firme as igrejas que ainda praticam o ato bíblico da disciplina. E que os que esquecem essa ordenança bíblica tenham seus olhos abertos para o terrível erro em que estão ocorrendo.

"Nós vos ordenamos, irmãos, em nome do Senhor Jesus Cristo, que vos aparteis de todo irmão que ande desordenadamente e não segundo a tradição que de nós recebestes" (2 Ts 3.6)

Em Cristo,

Felipe Prestes

*Fonte: BRUCE, A. B. O treinamento dos doze Tradução: Daniel de Oliveira. São Paulo: Arte Editorial, 2005.