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sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Nem teísta, nem ateísta: egoísta!


"Assiste-nos, ó Deus e Salvador nosso, pela glória do teu nome; livra-nos e perdoa-nos os pecados, por amor do teu nome." (Sl 79.9)

Há algumas semanas, por curiosidade assisti uma palestra (não tenho coragem de chamar aquilo de pregação) de um desses pregadores bem conhecidos pelo Brasil. O que mais me chamou a atenção em sua preleção é que os textos bíblicos (mal utilizados) e os seus argumentos estavam completamente voltados para satisfazer alguém que não era Deus, mas o próprio homem. Deus e Sua Palavra eram apenas trampolins para uma mensagem para elevar a auto-estima dos ouvintes.

É impressionante como o homem tem a necessidade de achar que tudo, inclusive Deus, deve ser um meio para ele se sentir "bem consigo mesmo". A pretensa espiritualidade que está em voga hoje é somente um discurso egoísta com um rótulo de "divino" ou "transcendente".

Contudo, a verdadeira espiritualidade deve ser voltada não para o próprio homem, mas para o Senhor. E é assim que o salmista vê suas necessidades espirituais.

"Assiste-nos, ó Deus e Salvador nosso". Isso é um clamor pela ajuda de Deus. Mas o que chama antenção é a sua preocupação: "pela glória do teu nome".

"livra-nos e perdoa-nos os pecados". O salmista quer ser perdoado, mas não porque quer simplesmente largar o fardo da culpa que tanto tem baixado sua auto-estima. Não! Ele quer o perdão de seus pecados "por amor do teu nome".

Nossas necessidades espirituais, nosso caminhar cristão não deve ter como foco nós mesmos, mas a glória de Cristo. Não se esqueça: enquanto você olha para o próprio umbigo, não pode olhar "as coisas lá do alto, onde Cristo vive, assentado à direita de Deus" (Cl 3.1).

Em Cristo,

Felipe Prestes

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Os benefícios da falta de sono

Sempre me gabei do meu talento para o sono. Quando os insones me falavam de suas dificuldades para dormir, eu ironicamente lhes dizia que o meu problema era conseguir acordar. Acho que paguei pelo meu sarcasmo. Digamos que já é a segunda vez que vejo a luz do amanhecer chegar.

Mas descobri algo de bom nas horas que passam da madrugada. Sim, de acordo com o propósito deste blog, tentei olhar a insônia com lentes espirituais. Portanto, alisto aqui os benefícios da falta de sono para a vida espiritual.

1.Silêncio
Neste mundo de poluição sonora, alguns minutos sem nenhum barulho valem ouro. Os carros de som, as TVs, os ônibus e as buzinas são apenas alguns exemplos do que nos tem roubado o precioso silêncio. À noite, tudo isso se esvai (ou pelo menos diminui, se você mora em um bairro muito movimentado). Enfim, o que quero dizer é que se tivermos silêncio o bastante para ouvir nossos pensamentos, poderemos orar com tranquilidade, ponderando em cada palavra ao nosso Deus.

2.Sem interrupções
Mais uma vantagem da madrugada é que não somos interrompidos. Não sei para vocês, mas ser interrompido enquanto faço algo me dá nos nervos. E o interessante é que parece que orar e ler a Bíblia são as atividades que mais atraem interrupções. Durante a madrugada, você não será interrompido, então aproveite para a meditação nas Escrituras, o que é mais que a simples leitura e requer concentração.

3.Solidão
Vivemos sempre acompanhados. Seja o cônjuge, um irmão, a mãe. Parece que sempre estamos com alguém. Mas parece que temos uma necessidade de ficarmos a sós por um instante. Nesses instantes, podemos nos auto avaliar, notar cada uma de nossas imperfeições (afinal, não há os defeitos da pessoa ao lado para olhar). Nessas horas, também parece ser mais fácil ver a santidade de Deus.

Então, é isso. Se você sofre de insônia, pelo menos três motivos você tem para não tornar a sua noite em tormento, mas na bênção de crescimento espiritual e intimidade com o Senhor.

Tendo-se [Jesus] levantado alta madrugada, saiu, foi para um lugar deserto e ali orava. (Mc 1.35)

Em Cristo,

Felipe Prestes

sábado, 13 de março de 2010

Quando esquecemos para onde vamos


A eternidade, apesar de certa, parece distante para muitos de nós. Os compromissos, as metas, as responsabilidades, as capacitações, os títulos. Parece que estamos sempre correndo atrás de algo e deixando alguma coisa escapar. O ritmo frenético de nossas vidas tem-nos feito escravos de nós mesmos.

Com tantas coisas a nos distrair, chegamos a esquecer que há uma eternidade no fim de tudo. Somos lembrados disso, por vezes, no culto, em alguma conferência. Mas parece que o eterno está tão longe de nós. Sabemos que está lá, em algum lugar, mas não conseguimos vê-lo, ou não temos tempo para vê-lo.

É fácil esquecer o que vem após a morte e viver aqui como se tudo se resumisse a esse mundo. Como se, quando respirarmos pela última vez, tudo fosse acabar. Mas o que as Escrituras nos dizem é que não é assim. Essa vida aqui é apenas um ponto diante do que é a eternidade.

Para os que se perdem, os sofrimentos nesse mundo não serão nada. Os perdidos lembrarão dos seus piores dias na terra e dirão: “que bons tempos eram aqueles”. Sim, neste mundo ainda há a graça comum de Deus, que faz nascer o sol sobre justos e injustos. No inferno, não estará Deus. Impossível imaginar quanto desespero.

Aos que foram alcançados pela graça de Cristo, um banquete está preparado. Lá veremos com olhos completamente espirituais quais são os reais valores de uma vida. Olharemos para trás e nos arrependeremos, sim, de cada esforço não empenhado para a glória de Cristo, de cada segundo não investido na Sua obra, de cada prazer longe dEle.

Esse mundo tem sugado de nós o tempo, a força, a mente. Que não tire de nós também a fé no que há de vir.

“Vi também a cidade santa, a nova Jerusalém, que descia do céu, da parte de Deus, ataviada como noiva adornada para o seu esposo.” (Ap 21.2)

Em Cristo,

Felipe Prestes

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Visão apurada


“antes, permaneceu firme como quem vê aquele que é invisível.” (Hb 11.27b)

Na tão vistosa galeria dos homens de fé, o autor de Hebreus explica porque aqueles homens podem ser considerados tão ilustres. O interessante é ver essa explicação acerca de Moisés, que não se amedrontou com a cólera do rei do Egito, mas permaneceu firme.

Às vezes, fico imaginando como esses homens de fé viviam. Moisés, um grande líder daquele povo, deveria sofrer duras oposições. Certamente, deveria haver aqueles materialistas, que, mesmo vendo um sinal claro de Deus, inventavam explicações naturalistas para “desmistificar” o sobrenatural. “Essas pragas nada mais são do que manifestações da natureza. Se não podemos explicá-las hoje, alguém explicará no futuro.” – é o que deveriam dizer.

Além desses, deveria haver também os pessimistas. Sabemos que a situação de escravidão do povo de Israel no Egito não era fácil, mas sempre há aqueles que pintam uma situação ruim com cores tão fortes que acabam parecendo ainda piores do que realmente são, tirando de muitos a esperança de uma possível melhora. Esses provavelmente diriam: “Nascemos escravos, morreremos escravos. Estamos fadados a esse terrível fracasso ao qual Deus nos condenou para sempre.”

Não bastasse esses problemas “internos”, ainda havia um faraó teimoso que insistia em não libertar o povo hebreu, mesmo vendo todo o juízo que Deus estava impondo sobre a terra e o povo do Egito. Mas Moisés suportou tudo isso. Ele estava vendo mais, muito mais, do que todos os seus opositores.

Um povo escravo há 400 anos. Um faraó tirano irredutível em suas decisões. Desânimo de seus liderados. Moisés via mais do que isso. Ele parecia ver aquele que é invisível, o que o fazia permanecer firme no propósito de cumprir a missão que lhe havia sido confiada. Que Deus nos dê as lentes de Moisés para que também pareçamos ver aquele que é invisível e possamos permanecer firmes diante das dores e oposições desse mundo.

Em Cristo,

Felipe Prestes

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Alguém diferente, uma linguagem diferente

Esse episódio serve como uma espécie de guia para entender as outras vezes em que Cristo se mostrou com uma visão distinta acerca dos fatos ao seu redor. Jesus vinha de uma sequência de duros discursos contra os escribas e fariseus, quando introduz um assunto também muito difícil não só de eles compreenderem, mas de aceitarem.

A afirmação foi bem direta e confrontadora, fruto de Quem tem autoridade: “Vou retirar-me, e vós me procurareis, mas perecereis no vosso pecado; para onde eu vou vós não podeis ir.” (Jo 8.21).

Um discurso duro para corações duros. Cristo nunca colocou o homem no centro. Isso é uma prática do próprio homem. Neste episódio, Cristo se coloca no Seu lugar de poder e desvela o estado miserável em que se encontravam aqueles que O escutavam.

Sim, foi uma dura sentença, mas não foi complexa, não foi obscura. O discurso de Cristo é sempre sobre coisas do alto, mas aqueles ouvintes queriam interpretá-Lo como se Ele falasse das coisas terrenas. Os judeus se perguntavam se Ele estava querendo dizer que ia suicidar-Se, ao dizer que eles não poderiam ir para o mesmo lugar dEle. Triste engano de mentes obscurecidas por uma visão puramente material da realidade. Não conseguiam entender a profundidade do discurso do Mestre.

Cristo, então, explica o porquê de eles não O entenderem. E é aqui onde se encontra a chave, como já foi falado, para entender essa visão diferente de Jesus. “Vós sois cá de baixo, eu sou lá de cima; vós sois deste mundo, eu deste mundo não sou.” (Jo 8.23).

Uma mente voltada para baixo, isto é, para o mundo, não pode entender o que acontece lá em cima, nas regiões celestes. Não se poderá entender os desígnios de Deus se a mente do homem estiver voltada a entender, a agradar e a lutar pelos desígnios do próprio homem. E, caso esses homens a quem Cristo falava não cressem que Ele era o EU SOU, morreriam nos seus pecados, sem entender a esfera espiritual.

Os judeus lhe perguntam “Quem és tu?”, procurando saber com que autoridade Cristo falava aquilo. E Jesus afirma que veio do Pai e que teria muito mais coisas para dizer e para julgar, mas que veio falar apenas aquelas que o Pai havia Lhe dito. Em outras palavras, Cristo veio com um discurso celestial falar a homens com mentes céticas e materialistas. O resultado disso?

“Eles, porém, não atinaram que lhes falava do Pai” (Jo 8.27)

Então, depois de lhes explicar que não vinha de Si mesmo, mas do Pai, fazendo sempre o que agradava Àquele que O enviara, muitos creram nEle. A esses, Cristo falou que, se eles permanecessem na Sua palavra, verdadeiramente seriam Seus discípulos. E ainda lhes falou:

“E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.” (Jo 8.32)

Aquelas mentes não podiam entender o que Cristo falava. Aqueles judeus pensavam que Jesus estava falando da escravidão que eles conheciam. Mas Jesus se referia à libertação de uma escravidão muito mais profunda e dolorosa, a escravidão do pecado. Mas, dessa escravidão, o Filho podia libertá-Los. (Jo 8.36)

Cristo fala que eles procuravam matá-lo pelo fato de Sua palavra não permanecer nos seus corações. E, então, lhes explica o porquê de não entenderem Suas palavras.

“Qual a razão por que não compreendeis a minha linguagem? É porque sois incapazes de ouvir a minha palavra.” (Jo 8.43)

Sem ouvir a Palavra de Cristo, sem dar ouvidos ao que Ele nos quer dizer através de Sua Escritura, não se poderá compreender a Sua linguagem. Ela será inacessível, será incompreensível aos ouvidos humanos. Dessa forma, veremos apenas essa mera realidade material diante de nós. O que Cristo ensinou vira apenas um mero exemplo de uma vida incapaz de ser imitada. O Mestre vira apenas um sábio, um libertador, um filósofo, um sociólogo. Com lentes materiais, Ele será apenas isso mesmo.

Porém, com lentes espirituais, as lentes com as quais Ele percebia a realidade, não perguntaremos como os judeus “Quem és tu?”, mas O reconhecemos como o Senhor de nossas vidas, digno da nossa obediência, honra e louvor, em todos os momentos, para a Sua glória somente.

Em Cristo,

Felipe Prestes

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Jesus e o pão da vida


Ao fazer a multiplicação dos pães, o Senhor Jesus se viu ainda mais procurado do que o normal. Naturalmente, a multidão que O seguia haveria de aumentar depois de ter visto tamanho milagre com um número tão grande de beneficiados diretos (cerca de quinze mil pessoas).

Diante desse grande interesse de tantos em busca de Cristo, o Salvador sabia que muitos ali, a maioria na verdade, estava em busca não de algo espiritual, não de segui-lo verdadeiramente, mas com o único interesse em se beneficiar fisicamente de seus milagres, quer para serem curados, quer para serem alimentados. Jesus sabia o quanto o material tem importância para o ser humano e sabia também da nossa facilidade em colocar as coisas da carne superiores às coisas do espírito.

Nesse pano de fundo, a multidão chegou a Cristo, pois O havia procurado do outro lado do mar, mas não O havia encontrado. Tendo atravessado o mar e chegado a Cafarnaum, encontraram o Mestre. Vendo Jesus a disposição do coração deles, respondeu-lhes:

“Em verdade, em verdade vos digo: vós me procurais, não porque vistes sinais, mas porque comestes dos pães e vos fartastes.” (Jo 6.26)

Dessa forma, Cristo anuncia o início da sua mudança do foco material para o espiritual. Inicia isso mostrando que sabia o interesse puramente material daqueles que O buscavam naquele momento.

Então, continua: “Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela que subsiste para a vida eterna, a qual o Filho do Homem vos dará; porque Deus, o Pai, o confirmou com o seu selo.” (Jo 6.27)

Cristo mantém o paralelo entre o espiritual e o material. Agora, ele sai da questão do interesse e passa para o tema do esforço. O trabalho do homem é para o seu sustento. Sem o seu sustento, o homem morre de fome, de necessidade. O homem trabalha para obter esse alimento físico. Cristo está dizendo que o esforço do homem para obtenção do alimento espiritual deve ser maior do que o esforço para obtenção do sustento físico. Afinal, o alimento acaba, perece. Já o alimento espiritual dura para a vida eterna.

Os judeus pedem a Cristo sinais para que cressem nEle, dizendo que os seus pais viram o maná, o pão do céu, descer para que se alimentassem. Cristo usa isso a seu favor, dizendo que o verdadeiro pão do céu não era o maná. Este era uma tipificação do pão da vida que haveria de vir, que daria vida ao mundo (Jo 6.33). Ainda sem entenderem do que Jesus falava exatamente, os judeus Lhe pedem que lhes deem sempre desse pão.

Com isso, Cristo se revela afirmando categoricamente quem é esse pão de que fala: “Eu sou o pão da vida; o que vem a mim jamais terá fome; e o que crê em mim jamais terá sede.” (Jo 6.35)

Ainda sem entender (ou sem querer entender) o que Jesus dizia, os judeus murmuravam entre si, questionando como poderia Jesus ter descido do céu se eles conheciam Seu pai e Sua mãe. Cristo desceu do céu no sentido de ter sido enviado por Deus para cumprir Sua missão, mas os judeus se recusavam a entender tão simples metáfora.

Cristo parece mostrar o motivo pelo qual eles não entendiam tudo aquilo. “Ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou, não o trouxer” (Jo 6.44a). E, depois, insiste no paralelo espiritual/material ao dizer que dos judeus: “Vossos pais comeram o maná no deserto e morreram. Este é o pão que desce do céu para que todo o que dele comer não pereça.” (Jo 6.49,50). E, para não restar dúvidas do que estava dizendo, diz que “e o pão que eu darei pela vida do mundo é a minha carne” (Jo 6.51b).

Mas os judeus, com o foco unicamente material, insistem em não compreender e se perguntam: “Como pode este dar-nos a comer a sua própria carne?” (Jo 6.52). A questão não é a falta de inteligência para entender um discurso tão simples, mas a falta de um discernimento, de uma visão espiritual acerca do que Jesus está falando. Afinal, são asseverações claras como “a minha carne é a verdadeira comida, e o meu sangue é a verdadeira bebida” (Jo 6.55) que aqueles homens não conseguem compreender.

Cristo, com sua total visão espiritual, mais uma vez não foi compreendido por se referir a coisas eternas, enquanto os outros olham para as coisas da terra. “O espírito é o que vivifica; a carne para nada aproveita; as palavras que eu vos tenho dito são espírito e são vida.” (Jo 6.63). Depois de duras palavras, Cristo diz o que realmente importa, o espírito, tirando de muitos dos que escutavam a expectativa da busca por algo material. Frustrados, “À vista disso, muitos dos seus discípulos o abandonaram e já não andavam com ele.” (Jo 6.66)

Em Cristo,

Felipe Prestes

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Nicodemos e o nascer de novo


Como pode um mestre não entender uma simples metáfora? Ao analisar de forma um pouco mais detalhada esse episódio, será possível responder à pergunta.

Nicodemos, provavelmente para não ser visto, encontrou-se com Jesus à noite. Aquele que era um dos principais dos judeus se mostra reconhecer a procedência de Jesus. “Sabemos que és Mestre vindo da parte de Deus” (Jo 3.2).

Cristo parece quebrar o assunto de Nicodemos e afirma que “se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus” (Jo 3.3). O Senhor Jesus estava usando algo deste mundo material, o nascer, para comparar o que se acontece com aquele que se entrega à autoridade do Supremo Pastor.

Mas, naquele momento, toda a erudição daquele mestre mostrou-se inútil. O que se vê é alguém que estudou com os maiores professores, tendo acesso à literatura prima da época, não entender uma simples metáfora que não era uma grande abstração, mas uma simples espécie de comparação.

Os livros não serviram a Nicodemos. O de que ele precisava eram óculos espirituais para perceber a profundidade do nascer de novo. Mas como não os tinha naquele momento, o mestre dos judeus devaneou com uma pergunta de quem não havia entendido tão simples declaração: “Como pode um homem nascer, sendo velho? Pode, porventura, voltar ao ventre materno e nascer segunda vez?” (Jo 3.4) E Cristo, assim, dá uma pista do paralelo que quer apresentar ao dizer: “O que é nascido da carne é carne; e o que é nascido do Espírito é espírito.” (Jo 3.5)

Jesus, então, faz outra mera metáfora sobre o vento, e Nicodemos não entende que o Espírito sopra onde quer assim como o vento o faz. Com isso, Cristo faz uma pergunta dura e precisa. “Tu és mestre em Israel e não compreendes estas coisas?” (Jo 3.10)

Onde estava todo o conhecimento daquele estudioso ao não entender duas simples metáforas do Senhor Jesus? O próprio Cristo fala que, tratando de coisas terrenas, isto é, usando figuras de experiências humanas, aquele homem instruído não pôde entender o que lhe era dito. Como iria, então, crer quando Jesus lhe falasse das coisas puramente espirituais? (Jo 3.12)

Num mesmo diálogo, as mesmas palavras, porém sentidos completamente diferentes para cada um. É assim que se vê o episódio de Nicodemos. Para Cristo, com a visão do lado espiritual, nascer de novo nada mais era que o regenerar-se para uma nova vida para Deus. Mas a Nicodemos parecia estar velado o sentido tão simples de um mero recurso de linguagem.

Títulos, reconhecimento humano, aplausos, nada disso tem importância quando se vai tratar com Deus, diante de Quem a sabedoria deste mundo é loucura (1 Co 3.19). Para se entender a Cristo, precisa-se muito mais do que a mera inteligência humana. É necessário um abrir de olhos, um nascer de novo, para que, através da nova vida e da nova visão, possa-se ter acesso a um campo antes não conhecido da realidade, a esfera espiritual.

Em Cristo,

Felipe Prestes

quarta-feira, 29 de julho de 2009

A purificação do templo com lentes espirituais


Nesse tão conhecido episódio, pode-se ver o Senhor Jesus tomando uma atitude, no mínimo, curiosa. Se houvesse hoje uma situação semelhante, certamente haveria más interpretações sobre o fato. Diante de tal complicação, entender a visão espiritual de Cristo faz-se a chave para abrir as portas de um entendimento real do que ocorreu naquele dia no templo.

O templo sempre foi algo sagrado para os judeus. O próprio Deus ordenou sua construção, dando todos os detalhes de como Ele queria que fosse edificada a casa em que o Seu povo O adoraria. Foram instruídas por Deus desde a dimensão das portas até a forma como os sacerdotes deveriam se vestir para entrar em certos ambientes.Tanto detalhamento mostra a importância que Deus dava àquele lugar. Não pelo prédio ou pela liturgia por si só, mas pelo fim de tudo aquilo, a Sua própria glória.

Ao ver o templo de Deus, Jesus esperava que aquele lugar fosse reverenciado e honrado, assim como importava ao Pai. Porém, Cristo “encontrou no templo os que vendiam bois, ovelhas e pombas e também os cambistas assentados” (Jo 2.14).

Aos olhos puramente humanos, aquela era uma situação simplesmente comum. Homens comerciando para obter lucro dos produtos que vendiam. Os sacrifícios deveriam ser tirados da propriedade de quem os ofertava, mas os comerciantes facilitavam esse trabalho. Vendiam o “sacrifício” no próprio templo, tornando a vida daqueles religiosos mais fácil, mais prática. Um comércio de fé. Algo bem semelhante ao que se vê atualmente nos meios de comunicação com a comercialização do crer.

Por outro lado, isto é, por outro foco, o que se fazia no templo com comércio era uma afronta direta ao Senhor que o mandou construir. Ir ao templo deveria ser uma tarefa religiosa e, portanto, litúrgica, sim. No entanto, deveria ser uma religiosidade sincera, pois é a isso que o próprio Cristo valoriza, pois aquele fariseu da parábola não foi escutado, mesmo sendo seguidor dos costumes de sua religião, mas, ao publicano, Deus escutou por reconhecer pura e simplesmente que era pecador e que precisava de perdão, nem tendo coragem suficiente para levantar os olhos e olhar para os céus.

Cristo viu uma banalização de algo extremamente valioso para Deus. O resultado foi uma profunda indignação diante de tamanho desrespeito a Deus Pai. Como providência, Jesus tomou chicotes e “expulsou todos do templo, bem como as ovelhas e os bois, derramou pelo chão o dinheiro dos cambistas, virou as mesas”. (Jo 2.16)

O Mestre mostrou profundo zelo e cuidado pelo que tinha valor diante do Pai, mostrando Sua total identificação e intimidade com a Primeira Pessoa da Trindade. A prova disso é o Seu discurso. “Tirai daqui estas coisas; não façais da casa de meu Pai casa de negócio.” (Jo 2.16)

O foco espiritual de Cristo se mantém. Depois de os judeus perguntarem de onde Ele tirava autoridade para tomar aquelas atitudes tão imponentes, o Senhor responde: “destruí este santuário, e em três dias o reconstruirei” (Jo 2.19). Jesus falava de si próprio. O santuário era Ele mesmo que seria “destruído”, mas seria “reconstruído” no terceiro dia.

Como cegos espirituais, aqueles judeus não entenderam e pensaram que Cristo falava do santuário físico, que havia demorado quarenta e seis anos para ficar pronto.

Uma visão errada leva a uma prática errada. Os comerciantes bem como os consumidores do templo não conseguiam enxergar a afronta que estavam cometendo a Deus. O respeito que o templo demandava havia perdido o sentido para aqueles que queriam lucrar pura e simplesmente e, assim, perderam seus escrúpulos. Deve-se, portanto, saber, através da Palavra, o que é importante para Deus e, assim, ser zeloso com o que Ele zela.

Em Cristo,

Felipe Prestes

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Duras palavras

“Quando você está esquecido de Deus e da vida por vir, e esquece tanto dos seus pecados como do sangue do Salvador, vindo a colocar os seus pensamentos quase que continuamente nas vaidades e nas coisas deste mundo, como se estivesse crescendo mais nestas coisas do que na sua necessidade de Cristo, então, essa é uma demonstração de que Deus precisa fazer com que você se alimente de um cardápio mais duro, para corrigir o seu apetite e fazê-lo sentir o seu pecado e miséria de forma tal, que venha a retirar os pensamentos que você tem nas coisas pouco importantes, e o ensine a preocupar-se mais como o seu estado eterno."
Richard Baxter*

Estas duras palavras do pregador puritano chega a nós como álcool nas feridas da nossa alma. Precisamos de homens que escrevam e que falem das verdades bíblicas dessa forma. Confrontando-nos e nos fazendo deparar com a fraqueza e pequenez do nosso ser para que nos lembremos da total dependência que temos de Deus.

Em Cristo,

Felipe Prestes

*Fonte da citação:
BAXTER, Richard. Quebrantamento – espírito de humilhação Tradução: Paulo Anglada. Knox Publicações, 2008.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Dízimo do tempo



"Pensai nas coisas lá do alto, não nas que são aqui da terra" (Cl 3.2)

Hoje, depois de ler um livro que falava sobre a importância da meditação nas coisas espirituais, pensei um pouco mais a fundo sobre o tempo que Deus nos dá. Na verdade, de tudo que recebemos de Deus, nós somos despenseiros. Um dia, prestaremos conta de tudo o que Ele nos deu. Lembramos dessa prestação de contas todos os meses quando depositamos o nosso dízimo no gasofilácio da igreja. Naquele momento, estamos claramente devolvendo a Deus uma pequena parcela do tudo que Ele nos tem dado.

Mas pensei também em algo que poderia ser chamado de dízimo do tempo. Fiz o cálculo e vi que 10% das horas do nosso dia é igual a 2 horas e 24 minutos. Levando em conta o princípio básico que é Deus quem nos dá tudo, e que devemos Lhe oferecer as primícias, por que temos tanto problema em dar o nosso tempo a Deus, usando esses momentos pra meditar na Sua Palavra, no Seu Ser e na Sua Obra?

Uma vez falei a um irmão que João Calvino orava cerca de 3 horas por dia. O irmão disse que isso era naquela época em que as pessoas tinham mais tempo. Mas o fato é que o grande reformador escreveu, além das Institutas, uma vasta literatura cristã, pregava pelo menos 4 vezes por semana, além de muitas outras atividades que exercia. Tudo isso sem carro, sem computador e outras tecnologias que nos ajudam a gastar menos tempo.

Não vejo uma diferença de épocas. Vejo uma diferença de disposição. Calvino e outros que fizeram grandes coisas pela Obra do Senhor tinham a mesma característica: investiam muito do seu tempo meditando das coisas do alto. Assim, podiam quase entrar nos bastidores celestes e entender o que Deus queria para suas épocas e, assim, investir o que tinham para cumprir a vontade do Senhor.

Quanto do nosso precioso tempo temos investido naquilo que Deus valoriza? Será que chegaria ao dízimo do tempo de um dia?

Deus nos tem dado. O que temos feito?

Em Cristo,

Felipe Prestes

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Cristianismo materialista


Existe uma corrente filosófica chamada materialismo. Segundo os que creem nessa filosofia, o mundo nada mais é do que simplesmente esse que podemos ver e tocar. Nada mais existe do que isso. Qualquer crença em qualquer outra realidade sobrenatural teria sido criada pelo homem para benefício próprio. Assim, a religião seria o ópio do povo, como disse Karl Marx, um dos maiores proponentes dessa visão de mundo. Com isso, ele quer dizer que a crença no sobrenatural é apenas um entorpecente para o homem que não aguenta a dura realidade existente.

Sabemos que isso não é mais do que fruto da cegueira espiritual de um homem caído que não consegue deparar-se com a beleza da esfera espiritual que Deus abre àqueles que O buscam. Sabemos que Deus disse que existe um lugar de felicidade eterna para onde irão os que a Ele se entregaram e se submeteram. Sabemos também que há um lugar de condenação eterna, onde estarão os que não se renderam aos pés do Salvador. Sim, sabemos e temos a teoria na ponta da língua.

No entanto, mesmo tendo isso tão claro em nossa mente, parece que há momentos de nossa vida em que repentinamente viramos materialistas. Nesses momentos que o tamanho das nossas finanças é proporcional ao tamanho da nossa espiritualidade. Nesses momentos em que o ir bem das circunstâncias ditam o ir bem da nossa santidade. Nesses momentos em que a nossa vontade tem que ser a vontade de Deus. Nesses momentos, o espiritual parece não existir, e o que se vê é o que importa.

Sim, nesses momentos, concordamos com Marx. O nosso crer se torna uma mera bengala na qual nos apoiamos. A nossa igreja passa a ser um mero ponto de encontro com pessoas perto das quais nos sentimos à vontade. A adoração vira simplesmente um sentir-se bem consigo mesmo.

Só quando sairmos do centro e colocarmos a Deus no lugar que Lhe é devido, quando os nossos interesses deixarem de ser a prioridade, quando morrermos para nós mesmos tomando a nossa cruz; somente aí estaremos exercendo o cristianismo bíblico. Caso contrário, seremos apenas materialistas carregando um rótulo de cristãos.

“Porque a vida é mais do que o alimento, e o corpo, mais do que as vestes.” (Lc 12.23)

Em Cristo,

Felipe Prestes

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Prosperidade sem dinheiro?


Amado, acima de tudo, faço votos por tua prosperidade e saúde, assim como é próspera a tua alma. (3 Jo 2)

Não pude deixar de notar, ao ler essa curta epístola de João, a visão espiritual do discípulo amado de Cristo. João diz que faz votos pela prosperidade e saúde de Gaio. O interessante é notar a separação que ele faz entre bem estar material e físico daquele irmão e a prosperidade da sua alma.

Fiquei a me perguntar o que seria uma alma próspera. A nossa noção de prosperidade é sempre ligada a bênçãos materiais. Prosperar quer sempre dizer mais dinheiro, mais investimentos, mais lucros. Mas não é essa a visão que o apóstolo amado nos dá.

Ele está feliz pelo fato de Gaio andar na verdade. A prosperidade da alma daquele servo de Deus está intimamente ligada ao fato de ele andar na verdade, o que nada mais é do que seguir nos mandamentos de Deus.

Será que desejamos a prosperidade de nossa alma tanto quanto queremos que nossas finanças cresçam? Será que desejamos que a nossa espiritualidade se multiplique assim como almejamos que nossos lucros sejam estratosféricos? Será que ansiamos por crescer mais um degrau em maturidade espiritual tanto quanto aspiramos por uma promoção no trabalho? Ou será que temos mais medo de um saldo devedor no banco do que de uma separação da comunhão com Deus por conta de um pecado não confessado?

Nossa alma prosperará à medida que os nossos esforços sejam voltados a fazer crescer aquilo que, realmente, tem valor diante de Deus, a saber, santidade, maturidade, amor, entre outras virtudes que, na eternidade, farão diferença.

Em Cristo,

Felipe Prestes

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Compras

Imagine-se num shopping center com um cartão para gastar o quanto quisesse em um tempo limitado. Naturalmente, você compraria aquilo que acharia mais importante. Os atletas correriam para as lojas de artigos esportivos. Os high techs correriam para as lojas de informática. As antenadas na moda iriam direto para as lojas de roupa onde as peças, pelo preço, parecem ser feitas de algum metal precioso.

É fato. Compramos aquilo que nos importa. Juntamos nosso dinheiro, olhamos na vitrine e escolhemos, não necessariamente nessa ordem. Mas, se houvesse uma loja, no mesmo shopping, com coisas do tipo: santidade, amor ao próximo, paz em Cristo, boas obras; será que que iríamos a essa loja com o mesmo vigor e empolgação que iríamos às outras?

A questão é: importamo-nos com aquilo que Deus valoriza? A nossa resposta imediata seria um sim categórico. Quem diria não a uma pergunta como essa?

No entanto, parece que nos falta muito para nos importar o tanto quanto deveríamos com aquilo que o Senhor aprecia. A prova disso é que o que Deus dá valor geralmente não requer o nosso dinheiro. Uma vida de santidade, por exemplo, não é comprada por R$ 500,00. Não pagamos a Deus R$ 50,00 por hora de comunhão com Ele. E não se adquire boas obras por R$ 30,00 cada.

Não. Tudo isso está ao nosso dispor gratuitamente. Temo pensar que talvez por esse motivo não damos o valor devido. Talvez porque não fomos nós que pagamos a conta, mas o Senhor Jesus com Sua própria vida, ao derramar Seu valioso sangue na cruz.

Só quando tivermos olhos espirituais para perceber esse mundo pela ótica do Deus da Glória, só nesse momento daremos valor ao que, de fato, é valoroso.

“Compra a verdade e não a vendas; compra a sabedoria, a instrução e o entendimento.” (Pv 23.23)

Em Cristo,

Felipe Prestes

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Investimento certo

Hoje usa-se muito a palavra “investimento”. Alguns dizem que não se deve gastar o tempo, mas investi-lo, e esse princípio serve para o dinheiro também. Ouve-se que se deve investir a inteligência em algo que dê algum lucro, investir as habilidades em algo que dê retorno. E, se analisarmos a palavra “investir”, veremos que é uma ação que necessariamente requer algo em troca. Um bom investimento é quando se recebe muito mais do que se investiu. Um mau investimento é quando se recebe o mesmo ou quase o mesmo que se investiu. E prejuízo é quando se investe mais do que se recebe.

Parece que Paulo já tinha essa noção há cerca de dois mil anos. Ao falar aos gálatas, ele, por lidar com pessoas cuja principal atividade era agrícola, usa a palavra “semear”. Mas o sentido é o mesmo.

“Porque o que semeia para a sua própria carne da carne colherá corrupção; mas o que semeia para o Espírito do Espírito colherá vida eterna” (Gl 6.8)

Todos temos algo a investir. Temos dinheiro, de fato alguns mais do que outros, mas todos temos algum. Temos também tempo, inteligência e disposição. A questão é: onde vamos investir tudo isso? Alguém disse que, ao chegarmos diante do Senhor Jesus, nenhum de nós se arrependerá por ter trabalhado demais para o Seu Reino. Todos nos arrependeremos por momentos em que poderíamos ter-nos esforçado mais, ter pensado mais, ter investido mais.

Pior do que isso será quando nos arrependermos, não por ter usado pouco do que tínhamos, mas por momentos em que usamos aquilo que tínhamos para trabalhar contra o Reino do Senhor. Sim, Ele próprio disse que, com Ele, quem não ajunta espalha. Investir na nossa carne, isto é, naquilo que queremos e que não tem motivação em Cristo, é colher corrupção. É prejuízo na certa.

Contudo, investir no Espírito, ou seja, naquilo que o Senhor se agrada, submetendo tudo o que queremos fazer a Sua vontade, é lucro espiritual. É investir poucos anos (diante da eternidade são muito poucos mesmo) e ganhar a vida eterna. Creio que não há números para expressar a percentagem de tamanho lucro.

O investimento naquilo que é espiritual deve ser uma motivação constante de todo aquele que se diz filho e servo do Deus Eterno.

Em Cristo,

Felipe Prestes

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Ganhar ou perder? Depende. Para quem?

Pare e pense: o que você gostaria de realizar nesse mundo? Muitos pensariam em muito dinheiro, casas enormes e carros ultra luxuosos. Alguns pensariam em todos os títulos acadêmicos que queriam ganhar. E outros talvez pensassem numa satisfação profissional, estabilidade financeira e uma família feliz.

Se formos honestos, admitiremos que muito de nossa vida (senão toda ela) é gasta na luta para alcançar pelo menos uma das realizações acima. E antes que eu receba severas críticas acerca do que escrevi, afirmo que não considero as realizações terrenas nocivas em si mesmas. O problema é que elas tem se tornado alvos que, caso não alcançados, levarão a uma vida de frustração e fracasso.

O que eu queria era apenas mudar o foco delas. Gostaria que elas sempre ficassem em segundo plano na nossa mente. Afinal, um dia estaremos diante do Senhor Jesus. E, nesse dia, uma BMW que vá de 0 a 100 km/h em 5 segundos não valerá nada. Uma casa na frente do mar sofrerá a maior desvalorização imobiliária da história, pois terá o seu valor diminuído em 100%. E um título de doutor não receberá a menor importância, indepente da universidade na qual foi obtido.

Poderíamos alcançar todos os sonhos que esse mundo tem, mas, para Ele, isso não valeria simplesmente nada. “Pois que aproveitará o homem se ganhar o mundo interio e perder a sua alma? Ou que dará o homem em troca da sua alma?” (Mt 16.26)

De que valerão os ideias que esse mundo impõe? “Porque o Filho do Homem há de vir na glória de seu Pai, com os seus anjos e, então, retribuirá a cada um conforme as suas obras.” (Mt 16.27)

Que obras Cristo valoriza para que possamos ser retribuídos com o que realmente tem valor no céu? O resumo disso é o seguinte: “Quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; e quem perder a vida por minha causa achá-la-á.” (Mt 16.25)

Salvar a nossa vida nada mais é do que salvar os nossos interesses. E perder a nossa vida é, portanto, largar os nossos interesses. O paralelo está diante de nós. Ganhar para o mundo é igual a perder para Cristo. Ganhar para Cristo é igual a perder para o mundo.

E então, para quem queremos ganhar? Diante de quem queremos ser valorizados? A quem queremos agradar?

Em Cristo,

Felipe Prestes

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Cegos que fingem ver

Logo depois da nossa conversão, é um tanto difícil lidar com uma série de novas situações que são postas diante de nós. Uma dessas dificuldades, talvez a que mais sentimos, é o fato de querermos falar daquilo que aconteceu conosco para todos que estão próximos de nós. O problema é que, na maioria das vezes, não nos querem escutar. E aí vem uma certa frustração, pois as pessoas parecem não entender a dimensão do que estamos falando a elas.

“Estou falando de uma vida eterna de paz em Cristo, e essa pessoa não consegue ver a importância disso?” – é o que pensamos. Depois de um certo tempo, passamos a entender que, no dia de nossa conversão, o Senhor abriu nossos olhos para uma nova realidade, isto é, a esfera espiritual. Passamos a entender que os que não nos entendem estão, na verdade, cegos espiritualmente. E, portanto, nenhum argumento poderia levá-los a entender verdadeiramente o que lhes falamos, a não ser que o Senhor lhes abra os olhos.

Mas há um problema que me preocupa cada vez mais. E esse problema é perceber que muitos dos que já tiveram seus olhos abertos parecem continuar cegos. É exatamente isso. Muitos dos que receberam a visão espiritual de Deus, com a capacidade de poder perceber o que acontece pela ótica dEle, não o tem feito. Parecem continuar a não perceber o que acontece diante deles. São cegos fingem ver.

Que o Senhor nos ajude a manter nossa visão apurada segundo os Seus valores, perfeitamente passíveis de serem conhecidos através das Escrituras, para que ninguém que já vê continue tateando por aí sem perceber a realidade espiritual que está diante de nós.

“Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente.” (1 Co 2.14)

Em Cristo,

Felipe Prestes