Pages

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Jesus e o pão da vida


Ao fazer a multiplicação dos pães, o Senhor Jesus se viu ainda mais procurado do que o normal. Naturalmente, a multidão que O seguia haveria de aumentar depois de ter visto tamanho milagre com um número tão grande de beneficiados diretos (cerca de quinze mil pessoas).

Diante desse grande interesse de tantos em busca de Cristo, o Salvador sabia que muitos ali, a maioria na verdade, estava em busca não de algo espiritual, não de segui-lo verdadeiramente, mas com o único interesse em se beneficiar fisicamente de seus milagres, quer para serem curados, quer para serem alimentados. Jesus sabia o quanto o material tem importância para o ser humano e sabia também da nossa facilidade em colocar as coisas da carne superiores às coisas do espírito.

Nesse pano de fundo, a multidão chegou a Cristo, pois O havia procurado do outro lado do mar, mas não O havia encontrado. Tendo atravessado o mar e chegado a Cafarnaum, encontraram o Mestre. Vendo Jesus a disposição do coração deles, respondeu-lhes:

“Em verdade, em verdade vos digo: vós me procurais, não porque vistes sinais, mas porque comestes dos pães e vos fartastes.” (Jo 6.26)

Dessa forma, Cristo anuncia o início da sua mudança do foco material para o espiritual. Inicia isso mostrando que sabia o interesse puramente material daqueles que O buscavam naquele momento.

Então, continua: “Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela que subsiste para a vida eterna, a qual o Filho do Homem vos dará; porque Deus, o Pai, o confirmou com o seu selo.” (Jo 6.27)

Cristo mantém o paralelo entre o espiritual e o material. Agora, ele sai da questão do interesse e passa para o tema do esforço. O trabalho do homem é para o seu sustento. Sem o seu sustento, o homem morre de fome, de necessidade. O homem trabalha para obter esse alimento físico. Cristo está dizendo que o esforço do homem para obtenção do alimento espiritual deve ser maior do que o esforço para obtenção do sustento físico. Afinal, o alimento acaba, perece. Já o alimento espiritual dura para a vida eterna.

Os judeus pedem a Cristo sinais para que cressem nEle, dizendo que os seus pais viram o maná, o pão do céu, descer para que se alimentassem. Cristo usa isso a seu favor, dizendo que o verdadeiro pão do céu não era o maná. Este era uma tipificação do pão da vida que haveria de vir, que daria vida ao mundo (Jo 6.33). Ainda sem entenderem do que Jesus falava exatamente, os judeus Lhe pedem que lhes deem sempre desse pão.

Com isso, Cristo se revela afirmando categoricamente quem é esse pão de que fala: “Eu sou o pão da vida; o que vem a mim jamais terá fome; e o que crê em mim jamais terá sede.” (Jo 6.35)

Ainda sem entender (ou sem querer entender) o que Jesus dizia, os judeus murmuravam entre si, questionando como poderia Jesus ter descido do céu se eles conheciam Seu pai e Sua mãe. Cristo desceu do céu no sentido de ter sido enviado por Deus para cumprir Sua missão, mas os judeus se recusavam a entender tão simples metáfora.

Cristo parece mostrar o motivo pelo qual eles não entendiam tudo aquilo. “Ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou, não o trouxer” (Jo 6.44a). E, depois, insiste no paralelo espiritual/material ao dizer que dos judeus: “Vossos pais comeram o maná no deserto e morreram. Este é o pão que desce do céu para que todo o que dele comer não pereça.” (Jo 6.49,50). E, para não restar dúvidas do que estava dizendo, diz que “e o pão que eu darei pela vida do mundo é a minha carne” (Jo 6.51b).

Mas os judeus, com o foco unicamente material, insistem em não compreender e se perguntam: “Como pode este dar-nos a comer a sua própria carne?” (Jo 6.52). A questão não é a falta de inteligência para entender um discurso tão simples, mas a falta de um discernimento, de uma visão espiritual acerca do que Jesus está falando. Afinal, são asseverações claras como “a minha carne é a verdadeira comida, e o meu sangue é a verdadeira bebida” (Jo 6.55) que aqueles homens não conseguem compreender.

Cristo, com sua total visão espiritual, mais uma vez não foi compreendido por se referir a coisas eternas, enquanto os outros olham para as coisas da terra. “O espírito é o que vivifica; a carne para nada aproveita; as palavras que eu vos tenho dito são espírito e são vida.” (Jo 6.63). Depois de duras palavras, Cristo diz o que realmente importa, o espírito, tirando de muitos dos que escutavam a expectativa da busca por algo material. Frustrados, “À vista disso, muitos dos seus discípulos o abandonaram e já não andavam com ele.” (Jo 6.66)

Em Cristo,

Felipe Prestes

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

A mulher de Samaria e a água viva


Quem é maior: Deus ou os preconceitos? A província de Samaria era evitada pelos judeus. O povo samaritano era estigmatizado com hostilidade pelo povo hebreu. Mesmo assim, Jesus parece quebrar paradigmas neste episódio. Ao ver uma mulher samaritana tirar água, diz-lhe “Dá-me de beber.” (Jo 4.7). As mulheres já eram um grupo ao qual os homens não se dirigiam normalmente. Sendo Jesus judeu, e a mulher, samaritana, tornava o encontro ainda mais chocante para a sociedade da época. A mulher sente rapidamente essa diferença e pergunta: “Como, sendo tu judeu, pedes de beber a mim, que sou mulher samaritana?” (Jo 4.9).

A mulher, obviamente, está vendo aos olhos humanos. Quem ela vê, em sua mente, é apenas um judeu desavisado das leis e costumes de seu povo. Cristo percebe isso e responde frisando a ignorância da mulher. “Se conheceras o dom de Deus em que é o que te pede: dá-me de beber, tu lhe pedirias, e ele te daria água viva” (Jo 4.10).

Com isso, Jesus traz à tona as diferentes perspectivas presentes no diálogo. Ele conhece a mulher muito bem, o que se mostrará mais adiante. Mas a mulher não sabe quem Ele é, não entende ainda o poder que tem aquele “simples” judeu diante dela. Se soubesse, seria ela, e não Cristo, que solicitaria água.

Ainda em sua ignorância, a samaritana vê Jesus sem instrumentação nenhuma para tirar água e diz que ele não tem como pegar água daquele poço, mas pergunta onde há a água viva de que Cristo falou. Parece, inclusive, ironizar ao perguntar se Cristo era maior do que Jacó, aquele que havia dado o poço.

Jesus parece ignorar por um momento a falsa percepção da mulher, sem se remeter ao que ela falara, e simplesmente responde dizendo que quem bebesse da água da qual Ele havia falado jamais teria sede novamente. Ele explica melhor que a água que Ele desse seria uma fonte a jorrar para a vida eterna. Assim, Cristo vai dando pistas de sua peculiaridade à mulher, que logo se interessa pela tão valorosa água, mas ainda apenas pelo aspecto humano. Ela não quer mais precisar buscar água naquele poço, não quer mais ter essa sede física que a fazia ir ao poço sempre.

O Mestre, então, manda a mulher chamar seu marido, ao que ela responde não ter. Então, Cristo mostra saber da sua vida, ao lhe dizer que ela já tinha tido cinco maridos e que, naquele momento específico, vivia de forma escandalosa com um homem que não era seu marido.

A mulher entende que Jesus é um profeta. Ela fala sobre a adoração do templo e no monte, e Cristo lhe fala que adoração seria não mais em lugares específicos, mas em espírito e em verdade. E o interessante é ver que a mulher tinha a expectativa do Messias, que anunciaria todas as coisas.

Com isso, o Senhor Jesus, como em um ápice de seu revelar-se a mulher, afirma “Eu o sou, eu que falo contigo.” (Jo 4.26). Ele, assim, se afirma como o Cristo, o Ungido de Deus, do Qual as Escrituras falavam. Os discípulos chegam, estranham Jesus falando com uma mulher, mas não falam nada. A mulher, por sua vez, parece ter, depois de Jesus ter-se deixado conhecer, entendido verdadeiramente quem Ele era. E, assim, não ficou parada, mas em um belo exemplo de evangelismo, sai à cidade chamando pessoas para verem o que ela tinha visto, o que levaria a muitos dos que foram ter com Jesus crerem nEle.

Nesse episódio, mais uma vez o Senhor Jesus mostra a Sua perspectiva diferente. Desde o início, ao falar com a mulher, apesar do mesmo diálogo, estão tratando de coisas diferentes. A água do poço é apenas um ponto de contato para algo bem maior e mais profundo do que um simples matar a sede física. Cristo falava da água da vida, isto é, Ele próprio, capaz de vivificar para sempre os que a Ele se achegassem. A mulher não consegue entender o sentido do que Jesus fala até o momento em que Ele se auto afirma ser o Cristo, o Messias prometido por Deus. A nova visão da mulher a leva a entender a seriedade e a importância do que ela havia acabado de ver, o que a faz imediatamente levar a outros as boas novas de Alguém que a ela havia se revelado, o próprio Ungido de Deus tão esperado.

Em Cristo,

Felipe Prestes


Talvez vocês não saibam, mas esta é a centésima postagem deste blog. Em comemoração a esses 100 escritos, tenho publicado aqui alguns textos sobre a forma como o Senhor Jesus olhava para as circunstâncias que se apresentavam diante dEle. Esse foco diferente de Cristo foi exatamente a insipiração para a criação do blog. O título, Lentes Espirituais, serve como emblema para o propósito que temos aqui: ver o mundo pelos olhos do Senhor.
Gostaria de agradecer pelos que nos têm lido, pelos que têm comentado conosco sobre os textos e também pelos que nos têm incentivado a continuar com este trabalho tão prazeroso de escrever para a glória de Cristo.
Agradecemos também, obviamente, ao Deus, Senhor nosso, que é o princípio, o meio e o fim de tudo isso.
Esperamos que vocês, leitores, estejam sendo edificados com as leituras.
Contamos com suas orações por este ministério.

Em Cristo,

Os autores

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Nicodemos e o nascer de novo


Como pode um mestre não entender uma simples metáfora? Ao analisar de forma um pouco mais detalhada esse episódio, será possível responder à pergunta.

Nicodemos, provavelmente para não ser visto, encontrou-se com Jesus à noite. Aquele que era um dos principais dos judeus se mostra reconhecer a procedência de Jesus. “Sabemos que és Mestre vindo da parte de Deus” (Jo 3.2).

Cristo parece quebrar o assunto de Nicodemos e afirma que “se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus” (Jo 3.3). O Senhor Jesus estava usando algo deste mundo material, o nascer, para comparar o que se acontece com aquele que se entrega à autoridade do Supremo Pastor.

Mas, naquele momento, toda a erudição daquele mestre mostrou-se inútil. O que se vê é alguém que estudou com os maiores professores, tendo acesso à literatura prima da época, não entender uma simples metáfora que não era uma grande abstração, mas uma simples espécie de comparação.

Os livros não serviram a Nicodemos. O de que ele precisava eram óculos espirituais para perceber a profundidade do nascer de novo. Mas como não os tinha naquele momento, o mestre dos judeus devaneou com uma pergunta de quem não havia entendido tão simples declaração: “Como pode um homem nascer, sendo velho? Pode, porventura, voltar ao ventre materno e nascer segunda vez?” (Jo 3.4) E Cristo, assim, dá uma pista do paralelo que quer apresentar ao dizer: “O que é nascido da carne é carne; e o que é nascido do Espírito é espírito.” (Jo 3.5)

Jesus, então, faz outra mera metáfora sobre o vento, e Nicodemos não entende que o Espírito sopra onde quer assim como o vento o faz. Com isso, Cristo faz uma pergunta dura e precisa. “Tu és mestre em Israel e não compreendes estas coisas?” (Jo 3.10)

Onde estava todo o conhecimento daquele estudioso ao não entender duas simples metáforas do Senhor Jesus? O próprio Cristo fala que, tratando de coisas terrenas, isto é, usando figuras de experiências humanas, aquele homem instruído não pôde entender o que lhe era dito. Como iria, então, crer quando Jesus lhe falasse das coisas puramente espirituais? (Jo 3.12)

Num mesmo diálogo, as mesmas palavras, porém sentidos completamente diferentes para cada um. É assim que se vê o episódio de Nicodemos. Para Cristo, com a visão do lado espiritual, nascer de novo nada mais era que o regenerar-se para uma nova vida para Deus. Mas a Nicodemos parecia estar velado o sentido tão simples de um mero recurso de linguagem.

Títulos, reconhecimento humano, aplausos, nada disso tem importância quando se vai tratar com Deus, diante de Quem a sabedoria deste mundo é loucura (1 Co 3.19). Para se entender a Cristo, precisa-se muito mais do que a mera inteligência humana. É necessário um abrir de olhos, um nascer de novo, para que, através da nova vida e da nova visão, possa-se ter acesso a um campo antes não conhecido da realidade, a esfera espiritual.

Em Cristo,

Felipe Prestes

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Provérbios 22:17-19

memorizar 

17 Inclina o ouvido, e ouve as palavras dos sábios, e aplica o coração ao meu conhecimento. 18 Porque é coisa agradável os guardares no teu coração e os aplicares todos aos teus lábios.19 Para que a tua confiança esteja no SENHOR, quero dar-te hoje a instrução, a ti mesmo. Provérbios 22:17-19

Tive o enorme privilégio de crescer em um lar cristão. Uma das vantagens que tornam isso um privilégio é aprender a memorizar as Escrituras.

Minha mãe sempre ensinou algo muito importante para nossa família. Ela dizia que o livro de Provérbios tem o mesmo número de dias que um mês, assim, seria uma ótima prática ler um capítulo desse livro por dia. No decorrer dos anos, estaríamos com centenas de provérbios memorizados.

De fato isso acontece. Recordo-me uma quantidade de vezes em que ela falava algum provérbio em diversas situações. Em brigas, em tristezas, em alegrias, diante de desafios, em meio a algum problema, ela sempre tinha um provérbio pronto e memorizado, especialmente apropriado à situação.

Esses três provérbios atestam o que minha mãe tão sabiamente ensinou: há um grande benefício em valorizar o aprendizado das palavras do sábio. Isso é facilmente percebido, pois o sábio primeiro ordena, depois mostra o benefício e por fim elucida o propósito da memorização dos provérbios.

A expressão “inclina o ouvido” era comumente usada para o ato de dar atenção, tanto da parte do homem às palavras de Deus, quanto da parte de Deus atentando às orações de seus filhos. É uma ordem para que se “preste toda atenção”.

Porém a ordem de concentrar-se é seguida da ordem de abrir-se às palavras do sábio. É semelhante a um aluno que tem a disposição de aprender (inclina) e de fato retém o que é ensinado.

A Nova Tradução na Linguagem de Hoje traduz bem essa primeira ordem como “Presta toda a atenção”, pois o sábio sabe da grande importância do que será dito, por isso conclama a uma total concentração e retenção de todo o seu ensino.

A segunda recomendação de Salomão envolve a disposição do “homem interior”, tradução literal do termo para “coração”. Esse termo varia entre as traduções para mente, coração e até pensamento. Contudo, a ordem é para que se esteja completamente disposto a aprender.

Toda essa disposição deve ser destinada “às palavras do sábio” e “ao meu conhecimento”. Estas expressões remetem ao ensino de Salomão e de todos os sábios, mas especifica-se no ensino do primeiro.

Enfim, o sábio aqui aconselha que se dê total atenção ao aprendizado do seu conhecimento. Tanto que se haja uma inclinação ao aprendizado, como uma disposição interior.

Nós damos atenção àquilo que nos interessa. Assim como paramos para ouvir uma notícia importante na TV, um comunicado importante de nosso trabalho ou algo que alguém amado nos quer dizer, Salomão mostra quão importante e benéfico é que se memorize e a sua sabedoria.

A expressão “guardardes em teu coração” pode ser traduzido também como interiorizar, ou também memorizar. Aqui é atestado o conselho materno que recebi: a memorização do ensino da sabedoria nos é altamente proveitoso.

Também é benéfico o “aplicares todos aos teus lábios” ou, coloquialmente, “tê-las na ponta da língua”. De fato, falamos aquilo que o nosso coração está cheio, como ensinou o Senhor Jesus. Se tivermos os provérbios memorizados, guardados em nossos corações, seremos como um arqueiro, que sempre tem flechas disponíveis quando precisar atirá-las.

Além disso, Salomão ensina que o memorizar e o guardar seus provérbios é “agradável”. Também poderia ser dito “encantador”. Os provérbios, quando guardados em nossas mentes, e prontos em nossos lábios, serão de grande agrado. Ficaremos encantados quando percebermos que temos ótimos e sábios conselhos para as mais diversas situações da vida. Como é bom quando, ao passar por uma dificuldade, temos um bom ensino para nos orientar e evitar que cometamos falhas!

Esse tríplice provérbio conclui afirmando o objetivo de se ter a sabedoria. Salomão oferece mais uma vez o seu conhecimento “dando a instrução”, ou “fazendo saber”. O ensino da sabedoria é oferecido não para que se tenha uma auto-confiança, não para que haja um ensoberbecimento. A sabedoria deve nos levar a confiar no Senhor.

Ao contrário da sabedoria do mundo que leva a auto-exaltação e ao auto-engrandecimento, a sabedoria dos provérbios é sabedoria que vem de Deus. Vindo de Deus nos leva a confiar nEle. Deus nos orienta em cada situação da vida através da sua Palavra proferida pelo sábio Salomão.

De fato, é muito pertinente o conselho que recebi de minha mãe, que na verdade é um conselho vindo de Salomão. Memorizar os provérbios trará enorme benefícios, benefícios agradáveis, encantadores. Mas, para memorizá-los, precisamos estar abertos a escutá-los, através da leitura constante, talvez um capítulo por dia. Isso feito, a nossa confiança no Deus que é a fonte de toda sabedoria irá aumentar diariamente.

“Im omnibus glorifecetur Deus”

quarta-feira, 29 de julho de 2009

A purificação do templo com lentes espirituais


Nesse tão conhecido episódio, pode-se ver o Senhor Jesus tomando uma atitude, no mínimo, curiosa. Se houvesse hoje uma situação semelhante, certamente haveria más interpretações sobre o fato. Diante de tal complicação, entender a visão espiritual de Cristo faz-se a chave para abrir as portas de um entendimento real do que ocorreu naquele dia no templo.

O templo sempre foi algo sagrado para os judeus. O próprio Deus ordenou sua construção, dando todos os detalhes de como Ele queria que fosse edificada a casa em que o Seu povo O adoraria. Foram instruídas por Deus desde a dimensão das portas até a forma como os sacerdotes deveriam se vestir para entrar em certos ambientes.Tanto detalhamento mostra a importância que Deus dava àquele lugar. Não pelo prédio ou pela liturgia por si só, mas pelo fim de tudo aquilo, a Sua própria glória.

Ao ver o templo de Deus, Jesus esperava que aquele lugar fosse reverenciado e honrado, assim como importava ao Pai. Porém, Cristo “encontrou no templo os que vendiam bois, ovelhas e pombas e também os cambistas assentados” (Jo 2.14).

Aos olhos puramente humanos, aquela era uma situação simplesmente comum. Homens comerciando para obter lucro dos produtos que vendiam. Os sacrifícios deveriam ser tirados da propriedade de quem os ofertava, mas os comerciantes facilitavam esse trabalho. Vendiam o “sacrifício” no próprio templo, tornando a vida daqueles religiosos mais fácil, mais prática. Um comércio de fé. Algo bem semelhante ao que se vê atualmente nos meios de comunicação com a comercialização do crer.

Por outro lado, isto é, por outro foco, o que se fazia no templo com comércio era uma afronta direta ao Senhor que o mandou construir. Ir ao templo deveria ser uma tarefa religiosa e, portanto, litúrgica, sim. No entanto, deveria ser uma religiosidade sincera, pois é a isso que o próprio Cristo valoriza, pois aquele fariseu da parábola não foi escutado, mesmo sendo seguidor dos costumes de sua religião, mas, ao publicano, Deus escutou por reconhecer pura e simplesmente que era pecador e que precisava de perdão, nem tendo coragem suficiente para levantar os olhos e olhar para os céus.

Cristo viu uma banalização de algo extremamente valioso para Deus. O resultado foi uma profunda indignação diante de tamanho desrespeito a Deus Pai. Como providência, Jesus tomou chicotes e “expulsou todos do templo, bem como as ovelhas e os bois, derramou pelo chão o dinheiro dos cambistas, virou as mesas”. (Jo 2.16)

O Mestre mostrou profundo zelo e cuidado pelo que tinha valor diante do Pai, mostrando Sua total identificação e intimidade com a Primeira Pessoa da Trindade. A prova disso é o Seu discurso. “Tirai daqui estas coisas; não façais da casa de meu Pai casa de negócio.” (Jo 2.16)

O foco espiritual de Cristo se mantém. Depois de os judeus perguntarem de onde Ele tirava autoridade para tomar aquelas atitudes tão imponentes, o Senhor responde: “destruí este santuário, e em três dias o reconstruirei” (Jo 2.19). Jesus falava de si próprio. O santuário era Ele mesmo que seria “destruído”, mas seria “reconstruído” no terceiro dia.

Como cegos espirituais, aqueles judeus não entenderam e pensaram que Cristo falava do santuário físico, que havia demorado quarenta e seis anos para ficar pronto.

Uma visão errada leva a uma prática errada. Os comerciantes bem como os consumidores do templo não conseguiam enxergar a afronta que estavam cometendo a Deus. O respeito que o templo demandava havia perdido o sentido para aqueles que queriam lucrar pura e simplesmente e, assim, perderam seus escrúpulos. Deve-se, portanto, saber, através da Palavra, o que é importante para Deus e, assim, ser zeloso com o que Ele zela.

Em Cristo,

Felipe Prestes

terça-feira, 28 de julho de 2009

A Espera e o Alívio.

paciencia

Ninguém gosta de esperar. Fila de banco é um terror para todo mundo. A espera da noiva no dia do casamento é angustiante. Esperar o término de uma aula chata quase nos mata de angústia.

Porém, há esperas que além de angustiosas são dolorosas. A espera pelo nascimento em meio a dores de parto. A espera por um transplante para curar uma doença terminal. Até mesmo a cômica e trágica espera por um banheiro em meio a uma forte dor de barriga.

Esperar já é ruim, esperar com dores é ainda pior. Todo aquele que é cristão e conduz sua vida pela Palavra está destinado a esperar. A espera faz parte da vida do crente até o último momento de sua vida aqui na terra. Mas o cristão não espera somente, mas espera com dores.

Existe algo, porém, que faz da espera com dores algo suportável e até animador: o alívio. A mãe que espera seu filho se enche de gozo ao pegá-lo em seus braços, e que alívio! O doente que recebe seu órgão e vive mais 50 anos vive 50 anos de alívio. O alívio faz da espera com dor valer à pena.

O Senhor Jesus quando veio disse que um dia voltaria. Ele deu uma ordem, mas também deu vários avisos de que a vida aqui até que Ele voltasse não seria tão fácil. Ele disse que seus discípulos deveriam esperar a sua volta, e que essa espera seria um tanto quanto dolorosa. Por isso o seu retorno é tão esperado, tão ansiado, tão desejado, pois ele será o nosso alívio, o nosso eterno alívio.

O apóstolo Paulo foi talvez o cristão que mais sentiu a dor da espera com dores, mas quem mais olhou para o prazer do alívio. Ele disse:

“Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória, acima de toda comparação” 2 Cor. 4:17; também afirmou

“Portanto, meus amados irmãos, sede firmes, inabaláveis e sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que, no Senhor, o vosso trabalho não é vão.” 1 Cor. 15:58.

Observem o seu esforço em animar aos seus irmãos em Cristo para que agüentem a espera, ela é dolorosa, ela é ruim, mas ela vale muito a pena. Vale porque cada minuto de dor na espera gera eterna glória futura. Vale também porque ela não é em vão, receberemos um corpo novo, sem doença, sem tentação, sem dor...

Observem também como esse apóstolo considera o momento do alívio:

“aguardando a bendita esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus” Tito 2:13

Enfim, esperar por Cristo em um mundo como o nosso não é fácil. Somos tentados diariamente, e muitas vezes caímos e sentimos a dor profunda da queda. Pessoas a quem amamos contraem doenças devastadoras como o câncer. Parentes que muito apreciamos estão cegos, caminhando para a perdição, e esperamos angustiosamente se eles vão ou não ser salvos. Cada pessoa poderia citar uma quantidade de coisas que a entristece, a desanima e a faz infeliz em sua caminhada e espera pela volta de Cristo. Como somos tentados a desistir!!!

Algo, todavia é muito animador. Quanto maior a espera, maior o alívio. Quanto mais esperamos e sofremos por Cristo, mais o encontro com Ele será precioso. Cada momento de dor agora será substituído por momentos de gozo e regozijo ao lado d’Aquele que a todos satisfaz plenamente. Vai ser muito bom estar diante do nosso amado Senhor e ver os seus dedos cumprirem o que foi escrito:

“E lhes enxugará dos olhos toda lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram.” Ap. 21:4