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terça-feira, 11 de agosto de 2009

Qual a semelhança entre o Orkut e o Movimento Evangélico atual?

orkut-logo 

Há certas piadinhas que começam assim: “Qual a semelhança entre ....”. Proponho, então, mais uma: “Qual a semelhança entre o Orkut e o Movimento Evangélico atual?”. Você tem 10 segundos para pensar.

Bem, a resposta é a seguinte. O Orkut possui várias comunidades com pessoas, assuntos e estilos diferentes. O Movimento Evangélico no Brasil, e no mundo, também é constituído de inúmeras igrejas (algumas coincidentemente se chamam comunidades) com pessoas, assuntos e estilos bem diferentes.

Até aí, nada demais. O problema é que muitos crentes, se é que são crentes, vêm tratando a igreja como tratam o Orkut. Neste site de relacionamentos você tem a oportunidade de se associar com várias comunidades ao mesmo tempo. Cada uma delas possui características que lhe agradam e/ou se adéquam ao seu perfil. Assim, poderá participar da “Queremos Coca-Cola 20 litros” e também da “Eu odeio acordar cedo” e será aceito por ambas.

O Movimento Evangélico também oferece igrejas capazes de satisfazer várias das preferências do homem moderno. Pode-se participar da “Igreja eu adoro música legal”, da “Comunidade Evangélica Eu procuro uma namorada (o)” e também da “Igreja Ninguém se mete na minha vida”. Interessante é que, assim como no Orkut, muitos participam das três, vão para o retiro das três e “se sente bem” em todas elas.

Atualmente, pela diversidade de igrejas, é comum ouvirmos pessoas que dizem procurarem uma comunidade “que mais lhe agrada”, ou “mais à minha cara” e também “onde eu possa adorar melhor”. Porém, na maioria dos casos que conheci, as pessoas na verdade queriam era participar das comunidades “Eu odeio pregação sobre pecado”, ou “Eu odeio louvor com reverência”, também da “Eu odeio igreja que disciplina” e mais a “Eu odeio igreja que não grita”.

Escolher uma igreja, entretanto, é completamente diferente de escolher uma comunidade no Orkut. O Orkut nos serve adequando comunidades ao nosso perfil. Mas a Igreja não foi criada para nos servir, mas para servir ao Senhor Jesus Cristo (Ef 5:24a). A Igreja não foi feita para amoldar-se ao perfil e as preferências dos homens e assim atraí-los a ela; porém, diferente disso, a igreja é chamada para atrair homens e mulheres através da pregação pura e simples do Evangelho (1 Cor 15:1-4).

O crente humilhado diante da misericórdia e da graça de Deus não procurará uma igreja baseado em critérios puramente pessoais, egoístas e mundanos. Todavia, seu critério será unicamente bíblico, ou seja, a igreja que escolherá prezará pela centralidade das Escrituras como regra de fé e prática. Esse tipo de comunidade, se houvesse uma no Orkut, certamente se chamaria “Eu amo a Glória de Deus”.

 

‘Im omnibus glorifecetur Deus”

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

"Crentes" no palco


Creio que uma das primeiras artes que o mundo testemunhou foi a interpretação. Temos uma facilidade tremenda em fingir o que não somos, o que não temos e o que não fazemos. Sempre foi assim. Desde o primeiro pecado, Adão olhou para Deus e se fingiu de inocente, jogando a culpa para Eva pelo erro que ambos cometeram.

E, assim, os homens continuam a fingir. Creio que o lugar para representar deve ser o teatro mesmo. Lá há uma licença para ser o que se não é, para ter o que se não tem e para fazer o que se não faz. A diferença é que, naquele palco, todos sabem disso.

O problema é que muitos têm querido fazer do mundo um palco. De forma impressionante, se mostram atores de primeira qualidade, interpretam cenas quase reais e tomam para si papéis que convencem a todos. São atores versáteis, que interpretam personagens diferentes em cada lugar que vão. Para cada ocasião, uma máscara.

Um exemplo claro de atores se encontra no Novo Testamento, mais especificamente no livro de Atos. A ocasião: igreja primitiva. A época: meados do 1º século. Os papéis: Uma família de crentes dedicados à obra. Os atores: Ananias e Safira.

Esse casal queria parecer, e não ser. Pensaram que, na igreja, poderiam se passar por crentes de fé que venderam sua propriedade para ofertar na obra. De fato, venderam a propriedade, mas lhes faltou a fé que fingiram ter. Ao venderem a propriedade, disseram na igreja um valor diferente do preço pelo qual a propriedade fora vendida. Retiveram um valor, mas não disseram. Talvez como “segurança”, caso esse “negócio” de igreja desse errado.

Pobre casal. Cada um recebeu sua repreensão. Ao homem foi falado: “Não mentiste aos homens, mas a Deus.” (At 5.4) Já à mulher foi dito: “Por que entraste em acordo para tentar o Espírito do Senhor?” (At 5.9)

Quantos Ananias e quantas Safiras há infiltrados na igreja? Quantos trazendo uma máscara de consagração, mas no íntimo guardando pecados ocultos? Quantos dando em dízimo menos do que deveriam? Quantos cantando a Deus Lhe dizendo que entregam suas vidas por completo, mas retendo algumas áreas para que Deus não mexa?

A disciplina de Ananias e Safira foi imediata. Ambos morreram e tiveram o seu pecado conhecido de todos. Não temos mais notícia de gente morrendo na igreja porque mentiu, mas, quando estivermos diante de Cristo, Ele tirará todas as máscaras e nos fará ver quem realmente somos.

Em Cristo,

Felipe Prestes

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Alguém diferente, uma linguagem diferente

Esse episódio serve como uma espécie de guia para entender as outras vezes em que Cristo se mostrou com uma visão distinta acerca dos fatos ao seu redor. Jesus vinha de uma sequência de duros discursos contra os escribas e fariseus, quando introduz um assunto também muito difícil não só de eles compreenderem, mas de aceitarem.

A afirmação foi bem direta e confrontadora, fruto de Quem tem autoridade: “Vou retirar-me, e vós me procurareis, mas perecereis no vosso pecado; para onde eu vou vós não podeis ir.” (Jo 8.21).

Um discurso duro para corações duros. Cristo nunca colocou o homem no centro. Isso é uma prática do próprio homem. Neste episódio, Cristo se coloca no Seu lugar de poder e desvela o estado miserável em que se encontravam aqueles que O escutavam.

Sim, foi uma dura sentença, mas não foi complexa, não foi obscura. O discurso de Cristo é sempre sobre coisas do alto, mas aqueles ouvintes queriam interpretá-Lo como se Ele falasse das coisas terrenas. Os judeus se perguntavam se Ele estava querendo dizer que ia suicidar-Se, ao dizer que eles não poderiam ir para o mesmo lugar dEle. Triste engano de mentes obscurecidas por uma visão puramente material da realidade. Não conseguiam entender a profundidade do discurso do Mestre.

Cristo, então, explica o porquê de eles não O entenderem. E é aqui onde se encontra a chave, como já foi falado, para entender essa visão diferente de Jesus. “Vós sois cá de baixo, eu sou lá de cima; vós sois deste mundo, eu deste mundo não sou.” (Jo 8.23).

Uma mente voltada para baixo, isto é, para o mundo, não pode entender o que acontece lá em cima, nas regiões celestes. Não se poderá entender os desígnios de Deus se a mente do homem estiver voltada a entender, a agradar e a lutar pelos desígnios do próprio homem. E, caso esses homens a quem Cristo falava não cressem que Ele era o EU SOU, morreriam nos seus pecados, sem entender a esfera espiritual.

Os judeus lhe perguntam “Quem és tu?”, procurando saber com que autoridade Cristo falava aquilo. E Jesus afirma que veio do Pai e que teria muito mais coisas para dizer e para julgar, mas que veio falar apenas aquelas que o Pai havia Lhe dito. Em outras palavras, Cristo veio com um discurso celestial falar a homens com mentes céticas e materialistas. O resultado disso?

“Eles, porém, não atinaram que lhes falava do Pai” (Jo 8.27)

Então, depois de lhes explicar que não vinha de Si mesmo, mas do Pai, fazendo sempre o que agradava Àquele que O enviara, muitos creram nEle. A esses, Cristo falou que, se eles permanecessem na Sua palavra, verdadeiramente seriam Seus discípulos. E ainda lhes falou:

“E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.” (Jo 8.32)

Aquelas mentes não podiam entender o que Cristo falava. Aqueles judeus pensavam que Jesus estava falando da escravidão que eles conheciam. Mas Jesus se referia à libertação de uma escravidão muito mais profunda e dolorosa, a escravidão do pecado. Mas, dessa escravidão, o Filho podia libertá-Los. (Jo 8.36)

Cristo fala que eles procuravam matá-lo pelo fato de Sua palavra não permanecer nos seus corações. E, então, lhes explica o porquê de não entenderem Suas palavras.

“Qual a razão por que não compreendeis a minha linguagem? É porque sois incapazes de ouvir a minha palavra.” (Jo 8.43)

Sem ouvir a Palavra de Cristo, sem dar ouvidos ao que Ele nos quer dizer através de Sua Escritura, não se poderá compreender a Sua linguagem. Ela será inacessível, será incompreensível aos ouvidos humanos. Dessa forma, veremos apenas essa mera realidade material diante de nós. O que Cristo ensinou vira apenas um mero exemplo de uma vida incapaz de ser imitada. O Mestre vira apenas um sábio, um libertador, um filósofo, um sociólogo. Com lentes materiais, Ele será apenas isso mesmo.

Porém, com lentes espirituais, as lentes com as quais Ele percebia a realidade, não perguntaremos como os judeus “Quem és tu?”, mas O reconhecemos como o Senhor de nossas vidas, digno da nossa obediência, honra e louvor, em todos os momentos, para a Sua glória somente.

Em Cristo,

Felipe Prestes

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Amor, que Grande amor!

casamento15

Ontem, dia 05 de Agosto de 2009, foi um dia muito especial. Minha esposa Sanábia Pinho Nunes Aguiar completou mais um ano de vida. Sairei um pouco da proposta desse blog, pois quero expressar todo o meu amor por ela aqui.

Conhecemos-nos de forma inesperada para mim, mas muito bem planejada por ela (quem nos conhece sabe o que eu falo). A sensação que eu senti após nosso primeiro encontro foi de desesperança, eu pensei “Como uma mulher linda e inteligente como essa iria querer algo com um garoto como eu?”.

Nossa amizade, porém, foi se desenvolvendo, e eu, cada vez mais, fui descobrindo que mulher especial ela era, e é. Inteligente, bonita, dedicada, educada, cheirosa...Tudo isso pode descrever apenas superficialmente suas qualidades, pois não tenho palavras para elogiá-la suficientemente.

Agradeço demais a Deus a mulher que ele me deu. Ele prova o imenso amor que tem por mim dando-me tamanha graça de ter uma esposa como Sanábia. Temos quase dois anos de casados e só tenho boas expectativas de conhecê-la mais e mais, pois sei que há ainda muito que admirá-la.

Sei que ela lerá então quero dizer diretamente a ela...

Meu amor, obrigado por ser minha esposa, por me fazer feliz, por ser uma excelente auxiliadora, por me suportar, por estar comigo nos momentos difíceis, por cuidar tão bem de mim quando estou doente, por ser tão carinhosa, por ser tão dedicada, por ser muito mais do que eu mereceria. Espero te conhecer mais para entender como te fazer feliz. Você é o maior presente que Deus me deu, depois da Salvação. Você é a pessoa mais importante da minha vida. Ah como eu queria que todas as pessoas do mundo acessassem este blog para ver essa frase que brota sincera do meu coração: Eu te amo muito!!!”

Do seu,

Antônio Medeiros Aguiar Neto

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Jesus e o pão da vida


Ao fazer a multiplicação dos pães, o Senhor Jesus se viu ainda mais procurado do que o normal. Naturalmente, a multidão que O seguia haveria de aumentar depois de ter visto tamanho milagre com um número tão grande de beneficiados diretos (cerca de quinze mil pessoas).

Diante desse grande interesse de tantos em busca de Cristo, o Salvador sabia que muitos ali, a maioria na verdade, estava em busca não de algo espiritual, não de segui-lo verdadeiramente, mas com o único interesse em se beneficiar fisicamente de seus milagres, quer para serem curados, quer para serem alimentados. Jesus sabia o quanto o material tem importância para o ser humano e sabia também da nossa facilidade em colocar as coisas da carne superiores às coisas do espírito.

Nesse pano de fundo, a multidão chegou a Cristo, pois O havia procurado do outro lado do mar, mas não O havia encontrado. Tendo atravessado o mar e chegado a Cafarnaum, encontraram o Mestre. Vendo Jesus a disposição do coração deles, respondeu-lhes:

“Em verdade, em verdade vos digo: vós me procurais, não porque vistes sinais, mas porque comestes dos pães e vos fartastes.” (Jo 6.26)

Dessa forma, Cristo anuncia o início da sua mudança do foco material para o espiritual. Inicia isso mostrando que sabia o interesse puramente material daqueles que O buscavam naquele momento.

Então, continua: “Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela que subsiste para a vida eterna, a qual o Filho do Homem vos dará; porque Deus, o Pai, o confirmou com o seu selo.” (Jo 6.27)

Cristo mantém o paralelo entre o espiritual e o material. Agora, ele sai da questão do interesse e passa para o tema do esforço. O trabalho do homem é para o seu sustento. Sem o seu sustento, o homem morre de fome, de necessidade. O homem trabalha para obter esse alimento físico. Cristo está dizendo que o esforço do homem para obtenção do alimento espiritual deve ser maior do que o esforço para obtenção do sustento físico. Afinal, o alimento acaba, perece. Já o alimento espiritual dura para a vida eterna.

Os judeus pedem a Cristo sinais para que cressem nEle, dizendo que os seus pais viram o maná, o pão do céu, descer para que se alimentassem. Cristo usa isso a seu favor, dizendo que o verdadeiro pão do céu não era o maná. Este era uma tipificação do pão da vida que haveria de vir, que daria vida ao mundo (Jo 6.33). Ainda sem entenderem do que Jesus falava exatamente, os judeus Lhe pedem que lhes deem sempre desse pão.

Com isso, Cristo se revela afirmando categoricamente quem é esse pão de que fala: “Eu sou o pão da vida; o que vem a mim jamais terá fome; e o que crê em mim jamais terá sede.” (Jo 6.35)

Ainda sem entender (ou sem querer entender) o que Jesus dizia, os judeus murmuravam entre si, questionando como poderia Jesus ter descido do céu se eles conheciam Seu pai e Sua mãe. Cristo desceu do céu no sentido de ter sido enviado por Deus para cumprir Sua missão, mas os judeus se recusavam a entender tão simples metáfora.

Cristo parece mostrar o motivo pelo qual eles não entendiam tudo aquilo. “Ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou, não o trouxer” (Jo 6.44a). E, depois, insiste no paralelo espiritual/material ao dizer que dos judeus: “Vossos pais comeram o maná no deserto e morreram. Este é o pão que desce do céu para que todo o que dele comer não pereça.” (Jo 6.49,50). E, para não restar dúvidas do que estava dizendo, diz que “e o pão que eu darei pela vida do mundo é a minha carne” (Jo 6.51b).

Mas os judeus, com o foco unicamente material, insistem em não compreender e se perguntam: “Como pode este dar-nos a comer a sua própria carne?” (Jo 6.52). A questão não é a falta de inteligência para entender um discurso tão simples, mas a falta de um discernimento, de uma visão espiritual acerca do que Jesus está falando. Afinal, são asseverações claras como “a minha carne é a verdadeira comida, e o meu sangue é a verdadeira bebida” (Jo 6.55) que aqueles homens não conseguem compreender.

Cristo, com sua total visão espiritual, mais uma vez não foi compreendido por se referir a coisas eternas, enquanto os outros olham para as coisas da terra. “O espírito é o que vivifica; a carne para nada aproveita; as palavras que eu vos tenho dito são espírito e são vida.” (Jo 6.63). Depois de duras palavras, Cristo diz o que realmente importa, o espírito, tirando de muitos dos que escutavam a expectativa da busca por algo material. Frustrados, “À vista disso, muitos dos seus discípulos o abandonaram e já não andavam com ele.” (Jo 6.66)

Em Cristo,

Felipe Prestes

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

A mulher de Samaria e a água viva


Quem é maior: Deus ou os preconceitos? A província de Samaria era evitada pelos judeus. O povo samaritano era estigmatizado com hostilidade pelo povo hebreu. Mesmo assim, Jesus parece quebrar paradigmas neste episódio. Ao ver uma mulher samaritana tirar água, diz-lhe “Dá-me de beber.” (Jo 4.7). As mulheres já eram um grupo ao qual os homens não se dirigiam normalmente. Sendo Jesus judeu, e a mulher, samaritana, tornava o encontro ainda mais chocante para a sociedade da época. A mulher sente rapidamente essa diferença e pergunta: “Como, sendo tu judeu, pedes de beber a mim, que sou mulher samaritana?” (Jo 4.9).

A mulher, obviamente, está vendo aos olhos humanos. Quem ela vê, em sua mente, é apenas um judeu desavisado das leis e costumes de seu povo. Cristo percebe isso e responde frisando a ignorância da mulher. “Se conheceras o dom de Deus em que é o que te pede: dá-me de beber, tu lhe pedirias, e ele te daria água viva” (Jo 4.10).

Com isso, Jesus traz à tona as diferentes perspectivas presentes no diálogo. Ele conhece a mulher muito bem, o que se mostrará mais adiante. Mas a mulher não sabe quem Ele é, não entende ainda o poder que tem aquele “simples” judeu diante dela. Se soubesse, seria ela, e não Cristo, que solicitaria água.

Ainda em sua ignorância, a samaritana vê Jesus sem instrumentação nenhuma para tirar água e diz que ele não tem como pegar água daquele poço, mas pergunta onde há a água viva de que Cristo falou. Parece, inclusive, ironizar ao perguntar se Cristo era maior do que Jacó, aquele que havia dado o poço.

Jesus parece ignorar por um momento a falsa percepção da mulher, sem se remeter ao que ela falara, e simplesmente responde dizendo que quem bebesse da água da qual Ele havia falado jamais teria sede novamente. Ele explica melhor que a água que Ele desse seria uma fonte a jorrar para a vida eterna. Assim, Cristo vai dando pistas de sua peculiaridade à mulher, que logo se interessa pela tão valorosa água, mas ainda apenas pelo aspecto humano. Ela não quer mais precisar buscar água naquele poço, não quer mais ter essa sede física que a fazia ir ao poço sempre.

O Mestre, então, manda a mulher chamar seu marido, ao que ela responde não ter. Então, Cristo mostra saber da sua vida, ao lhe dizer que ela já tinha tido cinco maridos e que, naquele momento específico, vivia de forma escandalosa com um homem que não era seu marido.

A mulher entende que Jesus é um profeta. Ela fala sobre a adoração do templo e no monte, e Cristo lhe fala que adoração seria não mais em lugares específicos, mas em espírito e em verdade. E o interessante é ver que a mulher tinha a expectativa do Messias, que anunciaria todas as coisas.

Com isso, o Senhor Jesus, como em um ápice de seu revelar-se a mulher, afirma “Eu o sou, eu que falo contigo.” (Jo 4.26). Ele, assim, se afirma como o Cristo, o Ungido de Deus, do Qual as Escrituras falavam. Os discípulos chegam, estranham Jesus falando com uma mulher, mas não falam nada. A mulher, por sua vez, parece ter, depois de Jesus ter-se deixado conhecer, entendido verdadeiramente quem Ele era. E, assim, não ficou parada, mas em um belo exemplo de evangelismo, sai à cidade chamando pessoas para verem o que ela tinha visto, o que levaria a muitos dos que foram ter com Jesus crerem nEle.

Nesse episódio, mais uma vez o Senhor Jesus mostra a Sua perspectiva diferente. Desde o início, ao falar com a mulher, apesar do mesmo diálogo, estão tratando de coisas diferentes. A água do poço é apenas um ponto de contato para algo bem maior e mais profundo do que um simples matar a sede física. Cristo falava da água da vida, isto é, Ele próprio, capaz de vivificar para sempre os que a Ele se achegassem. A mulher não consegue entender o sentido do que Jesus fala até o momento em que Ele se auto afirma ser o Cristo, o Messias prometido por Deus. A nova visão da mulher a leva a entender a seriedade e a importância do que ela havia acabado de ver, o que a faz imediatamente levar a outros as boas novas de Alguém que a ela havia se revelado, o próprio Ungido de Deus tão esperado.

Em Cristo,

Felipe Prestes


Talvez vocês não saibam, mas esta é a centésima postagem deste blog. Em comemoração a esses 100 escritos, tenho publicado aqui alguns textos sobre a forma como o Senhor Jesus olhava para as circunstâncias que se apresentavam diante dEle. Esse foco diferente de Cristo foi exatamente a insipiração para a criação do blog. O título, Lentes Espirituais, serve como emblema para o propósito que temos aqui: ver o mundo pelos olhos do Senhor.
Gostaria de agradecer pelos que nos têm lido, pelos que têm comentado conosco sobre os textos e também pelos que nos têm incentivado a continuar com este trabalho tão prazeroso de escrever para a glória de Cristo.
Agradecemos também, obviamente, ao Deus, Senhor nosso, que é o princípio, o meio e o fim de tudo isso.
Esperamos que vocês, leitores, estejam sendo edificados com as leituras.
Contamos com suas orações por este ministério.

Em Cristo,

Os autores