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quinta-feira, 14 de maio de 2009

Sofrimento... Onde está?


“pois eu lhe mostrarei quanto lhe importa sofrer pelo meu nome.” (At 9.16)

Creio que se fizéssemos uma pesquisa dos temas menos abordados hoje no “meio evangélico”, sejam em livros, pregações ou músicas, o topo da lista dos menos mencionados seria ocupado pelo sofrimento pela causa de Cristo. Ouvimos sobre o céu, sobre vitória, libertação, cura, palavras positivas, bem-estar, auto-ajuda. Tudo isso nos dá um ar triunfalista, como se a vida em Cristo significasse somente um “estar bem consigo mesmo e com a sua espiritualidade sempre”.

E o sofrer pela causa de Cristo? E o ter por motivo de grande alegria o passar por provações? Onde estão esses temas? Por que não se encontram nas músicas cristãs que tocam em todos os lugares?

Não gostamos de sofrer. Não precisamos de uma tese científica para provar isso. Mas o verdadeiro discípulo cristão é aquele que vê até mesmo no sofrimento uma forma de glorificar a Cristo. É aquele que se alegra em sofrer pela Sua causa. É aquele que percebe que a sua vida não é sua na verdade, mas do Senhor a quem se entregou por completo não só no momento da conversão, mas todos os dias.

Deus prometeu mostrar ao então Saulo quanto importava sofrer pelo Seu nome. Saulo se tornou Paulo, o grande apóstolo, maior missionário de toda a história e escritor de quase metade do Novo Testamento. Toda essa eficiência e força na obra de Deus devem ter tido seu grande motor no entendimento que Paulo teve de que tudo na vida, inclusive o sofrimento, deve ser para a glória de Cristo, e nisso devemos nos alegrar.

Eu poderia escolher vários versículos para mostrar que Paulo entendeu essa grande verdade da vida cristã. Contudo, creio que um só pode ilustrar o que esse homem de Deus não só escreveu, mas viveu em favor do Senhor:

“Porque, assim como os sofrimentos de Cristo se manifestam em grande medida a nosso favor, assim também a nossa consolação transborda por meio de Cristo.” (2 Co 1.5)

Estar disposto a sofrer pela causa de Cristo é estar disposto a levar a cruz que Cristo nos deu. Quem quiser seguir ao Senhor da glória deve entender e viver essa verdade. Omitir-se de pregar esse ensinamento é se omitir de pregar um ponto basilar da doutrina da cruz.

Em Cristo,

Felipe Prestes

terça-feira, 12 de maio de 2009

Pérolas de A. B. Bruce

Há algum tempo, tenho lido o livro de A. B. Bruce, O treinamento dos doze. Trata-se de um clássico cristão escrito no final do séc. XIX, mas que revela verdades eternas por ter seu conteúdo firmemente baseado nas Escrituras. Como seu título sugere, consiste em lições dadas por Cristo no intuito de treinar os apóstolos. Para isso, o autor analisa vários episódios dos Evangelhos em que o Senhor ensina aos doze instruções para uma vida que O agrade. O livro é um tanto extenso (479 páginas), mas que não por isso se torna difícil de ler. Considero leitura obrigatória para todo crente que pretende realmente obter maturidade cristã.

Postarei aqui algumas passagens a fim de instigá-los a ler essa obra na íntegra, além de servir-nos de ponto de partida para reflexões acerca da vida espiritual.

“O verdadeiro auto-sacrifício cristão significa dificuldade, perda sofrida, não por si mesmo, mas por causa de Cristo, e por causa da verdade, em um tempo quando a verdade não pode ser mantida sem sacrifício.” (p. 251)

BRUCE, A. B. O treinamento dos doze Tradução: Daniel de Oliveira. São Paulo: Arte Editorial, 2005.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Primeiro amor

Na última postagem, um irmão fez um comentário sobre a saudade que tinha do seu primeiro amor. Achei que seria importante, então, postar sobre esse assunto.

Essa expressão “primeiro amor” está em Apocalipse 2.4, quando Cristo fala à igreja de Éfeso o seguinte: “Tenho, porém, contra ti que abandoaste o teu primeiro amor”. A igreja de Éfeso era uma das mais importantes da época. Era, inclusive, uma espécie de referência para as outras igrejas. Antes de falar sua repreensão, Cristo reconhece as obras daqueles irmãos e enaltece o zelo deles pela sã doutrina, pois não suportavam homens maus que se declaravam apóstolos, e não eram.

Isso nos mostra que esses irmãos tinham cuidado no que faziam. Era um povo zeloso das coisas de Deus, que levavam a sério os ensinamentos que a eles foram passados. Era um povo que servia, que devia ter trabalhos pela região. Aos olhos humanos, devia ser uma igreja de sucesso.

No entanto, aos olhos de Deus não era assim. O Senhor estava vendo o propósito que movia o coração daqueles crentes e não estava se agradando. Doutrinariamente saudáveis, eficientes na obra, mas insatisfatórios aos olhos de Deus. Como pode? – poderíamos perguntar. Mas já falei várias vezes e não vou me cansar de repetir. O Senhor não é um Deus de aparências. Aos olhos do mundo, ação certa com motivo errado é louvável. Aos olhos de Deus, os relatórios mais positivos podem ser um desastre, caso o motivo que nos levou a fazer tal obra seja impuro.

Portanto, irmãos, que não sejamos como aqueles crentes de Éfeso no que diz respeito ao que nos leva a servir a Deus. Devemos nos espelhar neles no zelo pela doutrina, sim. Devemos tê-los como referenciais quanto à quantidade de trabalho na obra, sim. Mas que, ao apresentarmos diante de Cristo o que fizemos a Ele, não recebamos uma repreensão como a igreja de Éfeso, mas um elogio como esse:

“Muito bem, servo bom e fiel; foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor.” (Mt 25.21)

O primeiro amor é fazer a obra de Deus com uma paixão pela Sua glória somente, o que ajudará a tirar qualquer motivo torpe do nosso coração.

Em Cristo,

Felipe Prestes


P.S. Defendo não uma paixão afetada por acordes que nos fazem chorar, por mantras intermináveis ou por pregações cheias de “poder” e secas das Escrituras. Defendo uma paixão, sim, pela obra do Senhor, pela Sua glória e pelos Seus propósitos, tudo isso embasado na revelação completa que temos acerca dEle, isto é, a Sua Palavra.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Cegos que fingem ver

Logo depois da nossa conversão, é um tanto difícil lidar com uma série de novas situações que são postas diante de nós. Uma dessas dificuldades, talvez a que mais sentimos, é o fato de querermos falar daquilo que aconteceu conosco para todos que estão próximos de nós. O problema é que, na maioria das vezes, não nos querem escutar. E aí vem uma certa frustração, pois as pessoas parecem não entender a dimensão do que estamos falando a elas.

“Estou falando de uma vida eterna de paz em Cristo, e essa pessoa não consegue ver a importância disso?” – é o que pensamos. Depois de um certo tempo, passamos a entender que, no dia de nossa conversão, o Senhor abriu nossos olhos para uma nova realidade, isto é, a esfera espiritual. Passamos a entender que os que não nos entendem estão, na verdade, cegos espiritualmente. E, portanto, nenhum argumento poderia levá-los a entender verdadeiramente o que lhes falamos, a não ser que o Senhor lhes abra os olhos.

Mas há um problema que me preocupa cada vez mais. E esse problema é perceber que muitos dos que já tiveram seus olhos abertos parecem continuar cegos. É exatamente isso. Muitos dos que receberam a visão espiritual de Deus, com a capacidade de poder perceber o que acontece pela ótica dEle, não o tem feito. Parecem continuar a não perceber o que acontece diante deles. São cegos fingem ver.

Que o Senhor nos ajude a manter nossa visão apurada segundo os Seus valores, perfeitamente passíveis de serem conhecidos através das Escrituras, para que ninguém que já vê continue tateando por aí sem perceber a realidade espiritual que está diante de nós.

“Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente.” (1 Co 2.14)

Em Cristo,

Felipe Prestes

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Vontade de Deus?

Muitos dizem que querem fazer a vontade de Deus. Inclusive, essa expressão “vontade de Deus” é um termo coringa, que utilizamos em qualquer situação. Se for a vontade de Deus, se Deus quiser – é o que dizemos. Até aí, tudo bem. O problema é a inclinação que temos de achar que a vontade de Deus é simetricamente igual ao que achamos que é o melhor para nós.

Repetir essas expressões nos dá um quê de espiritualidade diante dos que nos escutam. Contudo, sabemos que o Senhor não é um Deus de aparências, mas um Deus que sonda os nossos pensamentos mais profundos. Ele, e somente Ele, sabe se nós realmente estamos dispostos a fazer a Sua vontade.

Deus pode querer tirar tudo o que você tem, como fez com Jó. Deus pode querer que você apanhe, como fez com Paulo. Deus pode querer que você morra, como fez com Estevão. Será que, quando falamos que queremos fazer a vontade de Deus, pensamos nesses casos?

Um exemplo que me salta aos olhos por mostrar alguém que, sem dúvidas, queria fazer a vontade do Senhor é o de Paulo. Chegando ao fim de sua terceira viagem missionária, o apóstolo sabia que a vontade Deus era que ele fosse a Jerusalém. Isso significava que certamente ele seria preso, espancado e, muito provavelmente, morto naquela cidade. Não só ele como todos os seus companheiros sabiam disso, tanto que muitos deles insistiam para que ele não fosse à cidade ponto de encontro dos judeus, dos quais muitos eram inimigos mortais de Paulo.

Mesmo sabendo disso tudo, Paulo, em seu discurso a alguns pastores, falou o seguinte em um tom de despedida:

“E, agora, constrangido em meu espírito, vou para Jerusalém, não sabendo o que ali me acontecerá, senão que o Espírito Santo, de cidade em cidade, me assegura que me esperam cadeias e tribulações.” (At 20.22,23)

Como Paulo podia ter tanta segurança para se resignar à vontade de Deus dessa forma? É o próprio Paulo quem responde:

“Porém, em nada considero a vida preciosa para mim mesmo, contato que complete a minha carreira e o ministério que recebi do Senhor Jesus para testemunhar o evangelho da graça de Deus” (At 20.24)

A nossa disposição em realmente fazer a vontade de Deus é diretamente proporcional ao quão preciosa a nossa vida é para nós mesmos.

Em Cristo,

Felipe Prestes

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Leis


Sempre lidamos com ordens. Ainda quando crianças na mais tenra idade, talvez ainda nem sabendo falar, já nos deparamos com ordens do tipo “pare de chorar”, “não saia do cercado, viu”, “é pra comer tudo”. E as ordens (e por que não dizer leis) continuam se desenvolvendo ao longo da nossa vida. As normas do colégio, dos cursos, da faculdade. E vão ficando mais complexas e sérias, como é o caso da constituição cujo descumprimento pode acarretar em consequências bem danosas.

As leis são simplesmente necessárias, uma vez que não se pode confiar em um “bom senso comum” de todas as pessoas da sociedade. Caso as regras não existissem, seria uma questão de pouco tempo para a sociedade sucumbir no mais pleno caos.

Isso prova a necessidade que temos de algo para nos regrar. Infelizmente, as leis humanas são (perdão pela redundância) humanas, isto é, temporais, efêmeras e até duvidosas algumas vezes.

Contudo, sabemos que há uma Lei que não sofre revisões. Ela é fruto de um Governo que não precisa de medidas provisórias para fazer o seu poder ser exercido. Para saber dessa Lei, não se precisa comprar vários “vade mecum”, um para cada ano. Essa Lei está na Bíblia e se trata das ordens de Deus para os homens. É uma lei que não muda e que dura para sempre, exatamente como Seu Legislador.

Essa não é uma Lei que oprime, absolutamente. Ela, por outro lado, liberta aqueles que A obedecem. Nunca seguiremos essa Lei com alguma dúvida no coração, achando que ela poderia ser um pouco reformulada para que pudesse ser viável. A Lei de Deus está aí para que os homens A obedeçam, e isto é tudo. É uma Lei para a qual olhamos de baixo para cima, ou seja, em submissão.

Aos que tem medo de obedecê-La, deixo um depoimento do Seu Legislador, Juiz e Executor:

“Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma. Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve.” (Mt 11.28-30)

Em Cristo,

Felipe Prestes

sábado, 2 de maio de 2009

Ser observado

Há alguns anos aconteceu um boom de programas de TV chamados reality shows. Foi uma estratégia bem inteligente e sagaz, pois não é novidade a vontade que muitos tem de saber da vida dos outros e de interferir nelas. Com os reality shows, esse desejo pode muito bem ser saciado.

Algo imprescindível nesses programas é um número exorbitante de câmeras e microfones. Afinal, o espectador não pode perder nada, e, por isso, os participantes devem ser vigiados vinte e quatro horas. Todos os olhares, gestos, diálogos e até sussurros devem ser registrados para deleite dos curiosos.

O problema é quando pensamos que é só nessas circunstâncias que poderíamos ser observados. Há situações em que nos vemos sozinhos e ponderamos que ali poderemos fazer o que for e ninguém ficará sabendo. Ledo engano. Cremos em um Deus onipresente e onisciente que sabe e vê absolutamente tudo o que acontece muito mais do que qualquer sistema de monitoramento. O Senhor vê muito mais do que imagens e sons. Deus vê até as motivações mais recônditas dentro em nós.

Ser observado pode ser bom ou ruim, depende de nós. Se tivermos algo a esconder (e nos iludirmos pensando que podemos ocultar isso de Deus), então pode ser muito ruim, pois Deus certamente verá e ficará desapontado. No entanto, se tudo o que fizermos for para a honra e glória do Senhor, ser observado será uma benção, uma vez que teremos prazer em expor nossas obras ao Deus a Quem servimos.

Em Cristo,

Felipe Prestes